Minha cabeça anda cheia de ideias e faz tempo que preciso escrevê-las. Capaz que o frio, o alinhamento dos astros e a postura do rabo da minha gata em fricção com meu altar tenham a ver com essa vontade... Sei lá! O que sei é que muitas coisas andam me deixando atarantada.
Primeiro: é que eu vejo tanta coisa boa na escola onde leciono e, muitas vezes, me entristece saber que várias dessas coisas acabam sendo soterradas, ou deixadas de lado pelo simples fato de que os problemas são tantos que boa parte do tempo útil do pessoal que trabalha ali é destinado a resolvê-los. E quando digo problemas, quero dizer PROBLEMAS. Cara, escola pública sabe? Descaso do governo pra manter o lugar bonitinho, descaso dos alunos em cuidar do patrimônio público, descaso de alguns pais que pensam que a escola deve educar as crianças... É tanta coisa que, se eu for ficar enumerando e comentando, posso publicar um livro épico a lá Odisseia (e olha que nem entrei na questão salarial, hen!).
Pois bem. Tenho alunos ótimos ali. Tenho uma aluna que é viciada em livros. Sempre que ela termina uma tarefa, ou tem um tempinho livre na aula, tira um livro do bolso e devora, ali na sala mesmo, no meio da bagunça dos colegas. E são títulos dos mais diversos: Menino do pijama listrado, Harry Potter, Menina que roubava livros, Caçador de pipas... Acho gratificante perceber como tem pessoas dessa nova geração tão abertas a novas ideias e a esse mundo louco e maravilhoso da literatura. Ainda mais vindo de uma família pobre que não possui o hábito da leitura, pelo que soube na reunião de pais. Isso ela aprendeu na escola mesmo: gostar de ler. Engraçado que, os colegas dela, vendo a menina toda concentradinha, começaram a ir atrás de livros também. Não digo que a variedade de títulos seja impressionante, mas eles estão procurando livros e estão gostando. Aliás, descobriram recentemente os livros de Harry Potter e é pura mania na turma.
Tenho outro aluno que desenha muito bem, é fã de animes e mangás. Também é bem inteligente, e tem um costume aterrador de bombardear todos os professores com zilhões de perguntas de todos os temas possíveis: de invasões alienígenas até história japonesa, de política brasileira até Iluminati. Esses dias veio perguntar pra mim o que eu achava de ele tentar fazer uma estória original pra um mangá. Disse que pesquisou sobre autores brasileiros, editoras e que quer seguir em frente. Cara... Quando que se imagina que no meio desse caos todo que é a educação pública brasileira vão ter pessoas que vão se inspirar e se empolgar com o pouco que lhes é oferecido?
E tem outros casos! Entusiastas de guerras, especialistas em aviões, fanáticos por games que já sabem o básico de programação no ensino fundamental, galera que discute política, dentro dos seus limites, melhor do que muitos adultos e, ainda, com a cabeça bem mais aberta pra receber outras opiniões.
Fico imaginando como seria se, um dia, conseguíssemos evoluir com o ensino público a um patamar onde o que temos a passar atinja a todos os alunos, principalmente aqueles que são desmotivados e acuados nesse sistema bizarro, que cada vez mais parece visar o emburrecimento da população.
O que mais gosto nesse papo de trabalhar com educação é saber que, de alguma maneira, faço parte na formação de alguém, mesmo que minimamente.
Tenho alunos que, ao contrário dos anteriores, sofrem com inúmeros problemas. Seja em casa, com lares desequilibrados, seja com sua saúde, onde dependem do SUS e, muitas vezes, não tem o que fazer a não ser esperar. Tenho alunos com doenças graves, deficiências sérias que atrapalharam seu processo de aprendizado e que, por conta de toda lentidão do sistema e a dificuldade em achar uma vaga com especialista, chegaram até o final do ensino fundamental sem saber ler direito, ou faltou tanto ao longo da vida escolar que, agora que está fora da idade por conta de repetências por faltas, não tem mais ânimo pra seguir em frente.
E sem contar aqueles que vivem á beira de uma explosão. São os tais casos irrecuperáveis, onde não adianta chamar os pais, já que a solução deles vai ser surrar o garoto ou, ainda, ignorar os chamados e viver a vida como se o filho não existisse.
Tenho inúmeros alunos-problema. Sério. Aliás, pode-se dizer que boa parte das escolas públicas é destinada a reclamar/tentar resolver esses casos. Há uns tempos estava falando da biografia de um certo ditador, que não vêm ao caso agora, mas ao decorrer da vida deste homem, disse aos alunos (uma sala difícil, e um aluno-problema-sério) que este homem, em sua infância, sofreu demais com a pobreza e a violência com que o país tratava os pobres; que apanhava em casa, tinha muitos irmãos e começou a trabalhar muito cedo. Ficou acostumado a tratar tudo de forma truculenta e resolver seus problemas por meios nada amigáveis. Eis que o garoto, que estava quieto durante minha explicação, comenta "Nossa fessora, que nem eu esse cara aí. Parece minha vida". Os colegas começaram a rir e ele, sério, continuou a afirmar que era verdade, e narrou resumidamente sua trajetória que, aos 16 anos, poderia ser parte de um roteiro cinematográfico.
Fiquei chocada, e passei a encarar o garoto com outros olhos. Hoje, é um dos que colabora com minhas aulas, embora os demais colegas não se inspirem em seu exemplo. Mas, infelizmente, não tem mais nada que posso fazer a não ser ensinar o que devo ensinar e torcer pra que ele não seja um desses casos de jovens mortos pela polícia, pois estavam envolvidos com tráfico de drogas.
Enfim... Daí pensei em como mudar um pouco as coisas, sabe? Fazer algo diferente, mas ao mesmo tempo dentro desse meio escolar que tanto precisa de alunos como os primeiros que citei. Eles não são melhores que os demais, e não significa que todos devam ser iguais a eles.
Segundo: a verdade é que não consigo pensar em um meio de fazê-lo. Acho que, se eu colocar isso tudo pra fora, como estou fazendo agora, pode contribuir para que novas ideias venham até mim. Daí resolvi vir aqui e escrever só por escrever mesmo. Daí as ideias que eu já "mastiguei" saem e ideias novas, de novos sabores entram, e eu consigo saber qual deles eu mais gosto :)
quinta-feira, 14 de maio de 2015
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Dia do saco cheio
Já aviso que a postagem não tem plano de voo.
Eu só estou puta demais, triste demais... Qualquer coisa ruim demais pra ficar quieta E pra ajudar, estou com cólicas e gripada.
Creio que boa parte de tudo isso que acomete meus pensamentos seja culpa dos hormônios que resolvem brincar com meu humor e projetar pensamentos absurdos na minha cabeça. Mas tem coisa que realmente me magoa, e a culpa não é tão hormonal.
Sabe aquele velho papinho de mensagens (des)motivacionais da internet? "O meu erro é esperar que os outros façam por mim o que eu faria por eles". É.
Dizem que o ano de 2014 é o ano na astrologia que vai quebrar muitos laços, e unir outros por muito tempo. Já estou com minha dose de laços quebrados há um bom tempo. E já estou de saco cheio de muita coisa na minha vida. Principalmente no que diz respeito as minhas supostas amizades.
Sempre fui muito carente. Filha única, problemas sérios na família, doente por toda a infância, sofri bullying na escola (principalmente de uma garota mais velha bem cretina que tinha o nome parecido com um produto de limpeza), tive um início de vida amorosa extremamente conturbado... Enfim. Tudo isso fez da minha vida sentimental um belo monte de merda. Recentemente descobri uma expressão em inglês que traduz todo o meu séquito sentimental durante a adolescência, e que me persegue até hoje. Wallflower. Desconhecia essa palavra até dezembro do ano passado, quando resolvi acatar com a indicação da Milla e ver The Perks of Being a Wallflower (com a d.i.v.a. Emma Watson). Daí desabei. Vi muitas coisas da minha vida passando diante dos meus olhos. Vi que estava de saco cheio das minhas atitudes complacentes perante os descasos de muitos desses meus "amigos". Passei boa parte da minha vida sendo coadjuvante da mesma. Apenas via as coisas acontecendo. Nunca fui (ou nunca me senti) o foco de nada. Nunca. Sempre gostei das sombras do anonimato. Sempre invejei as outras pessoas que pareciam tão felizes fazendo sabe-se lá o que que elas faziam. Me enchia de ódio. Amargura. Arquitetava mil planos, ensaiava falas e situações de como agir pra sair da posição em que eu estava. Mas pensar sempre foi muito mais fácil do que agir. E tudo ia bem, mas só que na minha cabeça. Olho as fotos de turma do colégio e percebo que fui invisível. Era como se eu não existisse. Toda uma existência na escola, e não fui lembrada por uma mísera foto. Aliás, eu era tão boa em ser invisível que quando foram homenagear os alunos mais antigos do colégio (estudei lá por 13 anos) colocaram a data errada da minha matrícula na caneta que ganhei de presente. Pensei em dar o piti; o rebucetê todo armado na minha cabeça. Apenas engoli em seco e voltei pro meu lugar. Minha mãe achou absurdo, propôs ligar na secretaria da escola pra corrigir. Me fiz de indiferente e escondi a caneta. Foi pro meu mural interno da vergonha.
O Ensino Médio não foi de todo ruim. Conheci algumas pessoas que viriam a me tirar da minha situação de espectadora, pro bem ou pro mal. Mas eu não sabia lidar com todas essas emoções, acabei metendo os pés pelas mãos, deixando que meu orgulho falasse mais alto, e quando vi: o angu já tava todo encaroçado. A menina que era uma grande amiga foi pra um lado (ambas putas da vida uma com a outra), minha suposta alma-gêmea parecia ter muito mais coisas com que se importar do que comigo e o signo extremamente solar do meu eterno companheiro de venenos me ofuscava.
Foi na faculdade que descobri aqueles que pensei que seriam eternos. De certa forma, uma delas ainda é e permanecerá assim, até o fim da existência. Mas ainda assim eu estava me descobrindo. Vi que a vida poderia ser muito mais legal do que apenas ver tudo de longe, passiva. Criei laços de amor e amizade que ficaram marcados em mim. Criei expectativas. Descobri que aquilo era algo que valia, que rolava lutar até a morte pra defender. Eram pessoas que eu dizia com orgulho "eu mataria por você!". Daí a vida aconteceu. O tempo passou, as prioridades mudaram, e eu me vi sozinha. De todas as pessoas que riam comigo, que participavam das brincadeiras, que defendiam a tal amizade, só me restou uma, e ela está há quilômetros de distância de mim. Ironicamente, quem está mais perto se fez mais distante. Mas eu continuei na ideia de que seriam pessoas pelas quais eu mataria. Esse ano percebi que tem gente que, por mais que eu tenha amado no passado, não vale uma gota de sangue ou suor derramado. Eu poderia matar por eles, mas nenhum deles se lembraria do meu nome depois de alguns meses.
Daí resolvi mudar de atitude! Colocar em prática todas aquelas imagens ensaiadas da minha cabeça, com falar e gritos e espetáculos. Me disseram que eu era dramática demais. Mas, caralho, eu passei a vida toda me escondendo dos meus próprios dramas, e quando consigo vencer essa barreia, filho da puta vem me dizer que eu SOU dramática?
Enfim, fiz tudo na maior classe. Até escrevi um texto aqui (a ideia era mandar na casa do infeliz, mas era "dramático demais"). Pensei que tava abafando. Mas quem leu não era quem eu queria que lesse. O cretino até curtiu a publicação sem ler. Fiquei fula.
Desde então não dei sinais da minha existência. Achei que viriam perguntar como estava, se estava bem, qual motivo de ter sumido.
Mas, aparentemente, continuo muito boa no quesito invisibilidade.
Sabe... É pedir demais que as pessoas se lembrem de mim? Sabe... Nem ligo de esquecerem o H no final do meu nome, só quero que saibam quem é Deborah. Mas acho que nem se eu usar meu avental da pré-escola que é bordado em vermelho com meu nome, o pessoal vai saber. E olha que não é porque sou pequena ou comum. Faço questão de aparecer. (Aliás, deve ser por isso que curto tanto coisas chamativas: roupas, cabelo, sapatos, acessórios, etc). Quero ser notada como ser humano. Mas aparentemente nem aqueles que sempre juraram amizade eterna lembram de mim. Daí fica foda pra quem acabou de me conhecer saber que eu sou né.
Cansei. Se não fosse meu estágio probatório no estado eu dava um jeito de tirar licença de uns meses e sumir por aí. Não dá. Quem realmente se importa comigo faz isso não importando a distância. Sei que posso ir pro sul da Patagônia que, quando voltar, ainda serão meus amigos. Mas acho que tudo seria bem mais simples se eu simplesmente sumisse. De verdade. E por vontade própria. Não pela insignificância que dão pra mim em suas vidas.
Mas foda-se. Acho que tudo isso é efeito da gripe forte ou coisa assim. Sei que vou dormir e acordar bem pior. Mas depois vou dormir de novo e levantar. O show tem que continuar. E eu vou estar lá, nas coxias, invejando a atriz principal da minha vida, que não sou eu, mas o reflexo do que eu desejo ser: alguém que não eu mesma.
Eu só estou puta demais, triste demais... Qualquer coisa ruim demais pra ficar quieta E pra ajudar, estou com cólicas e gripada.
Creio que boa parte de tudo isso que acomete meus pensamentos seja culpa dos hormônios que resolvem brincar com meu humor e projetar pensamentos absurdos na minha cabeça. Mas tem coisa que realmente me magoa, e a culpa não é tão hormonal.
Sabe aquele velho papinho de mensagens (des)motivacionais da internet? "O meu erro é esperar que os outros façam por mim o que eu faria por eles". É.
Dizem que o ano de 2014 é o ano na astrologia que vai quebrar muitos laços, e unir outros por muito tempo. Já estou com minha dose de laços quebrados há um bom tempo. E já estou de saco cheio de muita coisa na minha vida. Principalmente no que diz respeito as minhas supostas amizades.
Sempre fui muito carente. Filha única, problemas sérios na família, doente por toda a infância, sofri bullying na escola (principalmente de uma garota mais velha bem cretina que tinha o nome parecido com um produto de limpeza), tive um início de vida amorosa extremamente conturbado... Enfim. Tudo isso fez da minha vida sentimental um belo monte de merda. Recentemente descobri uma expressão em inglês que traduz todo o meu séquito sentimental durante a adolescência, e que me persegue até hoje. Wallflower. Desconhecia essa palavra até dezembro do ano passado, quando resolvi acatar com a indicação da Milla e ver The Perks of Being a Wallflower (com a d.i.v.a. Emma Watson). Daí desabei. Vi muitas coisas da minha vida passando diante dos meus olhos. Vi que estava de saco cheio das minhas atitudes complacentes perante os descasos de muitos desses meus "amigos". Passei boa parte da minha vida sendo coadjuvante da mesma. Apenas via as coisas acontecendo. Nunca fui (ou nunca me senti) o foco de nada. Nunca. Sempre gostei das sombras do anonimato. Sempre invejei as outras pessoas que pareciam tão felizes fazendo sabe-se lá o que que elas faziam. Me enchia de ódio. Amargura. Arquitetava mil planos, ensaiava falas e situações de como agir pra sair da posição em que eu estava. Mas pensar sempre foi muito mais fácil do que agir. E tudo ia bem, mas só que na minha cabeça. Olho as fotos de turma do colégio e percebo que fui invisível. Era como se eu não existisse. Toda uma existência na escola, e não fui lembrada por uma mísera foto. Aliás, eu era tão boa em ser invisível que quando foram homenagear os alunos mais antigos do colégio (estudei lá por 13 anos) colocaram a data errada da minha matrícula na caneta que ganhei de presente. Pensei em dar o piti; o rebucetê todo armado na minha cabeça. Apenas engoli em seco e voltei pro meu lugar. Minha mãe achou absurdo, propôs ligar na secretaria da escola pra corrigir. Me fiz de indiferente e escondi a caneta. Foi pro meu mural interno da vergonha.
O Ensino Médio não foi de todo ruim. Conheci algumas pessoas que viriam a me tirar da minha situação de espectadora, pro bem ou pro mal. Mas eu não sabia lidar com todas essas emoções, acabei metendo os pés pelas mãos, deixando que meu orgulho falasse mais alto, e quando vi: o angu já tava todo encaroçado. A menina que era uma grande amiga foi pra um lado (ambas putas da vida uma com a outra), minha suposta alma-gêmea parecia ter muito mais coisas com que se importar do que comigo e o signo extremamente solar do meu eterno companheiro de venenos me ofuscava.
Foi na faculdade que descobri aqueles que pensei que seriam eternos. De certa forma, uma delas ainda é e permanecerá assim, até o fim da existência. Mas ainda assim eu estava me descobrindo. Vi que a vida poderia ser muito mais legal do que apenas ver tudo de longe, passiva. Criei laços de amor e amizade que ficaram marcados em mim. Criei expectativas. Descobri que aquilo era algo que valia, que rolava lutar até a morte pra defender. Eram pessoas que eu dizia com orgulho "eu mataria por você!". Daí a vida aconteceu. O tempo passou, as prioridades mudaram, e eu me vi sozinha. De todas as pessoas que riam comigo, que participavam das brincadeiras, que defendiam a tal amizade, só me restou uma, e ela está há quilômetros de distância de mim. Ironicamente, quem está mais perto se fez mais distante. Mas eu continuei na ideia de que seriam pessoas pelas quais eu mataria. Esse ano percebi que tem gente que, por mais que eu tenha amado no passado, não vale uma gota de sangue ou suor derramado. Eu poderia matar por eles, mas nenhum deles se lembraria do meu nome depois de alguns meses.
Daí resolvi mudar de atitude! Colocar em prática todas aquelas imagens ensaiadas da minha cabeça, com falar e gritos e espetáculos. Me disseram que eu era dramática demais. Mas, caralho, eu passei a vida toda me escondendo dos meus próprios dramas, e quando consigo vencer essa barreia, filho da puta vem me dizer que eu SOU dramática?
Enfim, fiz tudo na maior classe. Até escrevi um texto aqui (a ideia era mandar na casa do infeliz, mas era "dramático demais"). Pensei que tava abafando. Mas quem leu não era quem eu queria que lesse. O cretino até curtiu a publicação sem ler. Fiquei fula.
Desde então não dei sinais da minha existência. Achei que viriam perguntar como estava, se estava bem, qual motivo de ter sumido.
Mas, aparentemente, continuo muito boa no quesito invisibilidade.
Sabe... É pedir demais que as pessoas se lembrem de mim? Sabe... Nem ligo de esquecerem o H no final do meu nome, só quero que saibam quem é Deborah. Mas acho que nem se eu usar meu avental da pré-escola que é bordado em vermelho com meu nome, o pessoal vai saber. E olha que não é porque sou pequena ou comum. Faço questão de aparecer. (Aliás, deve ser por isso que curto tanto coisas chamativas: roupas, cabelo, sapatos, acessórios, etc). Quero ser notada como ser humano. Mas aparentemente nem aqueles que sempre juraram amizade eterna lembram de mim. Daí fica foda pra quem acabou de me conhecer saber que eu sou né.
Cansei. Se não fosse meu estágio probatório no estado eu dava um jeito de tirar licença de uns meses e sumir por aí. Não dá. Quem realmente se importa comigo faz isso não importando a distância. Sei que posso ir pro sul da Patagônia que, quando voltar, ainda serão meus amigos. Mas acho que tudo seria bem mais simples se eu simplesmente sumisse. De verdade. E por vontade própria. Não pela insignificância que dão pra mim em suas vidas.
Mas foda-se. Acho que tudo isso é efeito da gripe forte ou coisa assim. Sei que vou dormir e acordar bem pior. Mas depois vou dormir de novo e levantar. O show tem que continuar. E eu vou estar lá, nas coxias, invejando a atriz principal da minha vida, que não sou eu, mas o reflexo do que eu desejo ser: alguém que não eu mesma.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Viva Forever
"Slipping through our fingers like the sands of time, promises made, every memory saved as reflections in my mind"
Obs: Eu tive um surto de Spice Girls também nessa semana. Citei dois trechos de duas letras delas, uma logo no começo é Viva Forever, e a outra é Goodbye. Curiosamente, as letras das músicas delas sempre arrumam um jeitinho de se encaixar em alguns momentos da minha vida. Vai entender!
E nessa semana de recesso escolar eu tive o tempo necessário pra pensar em alguns aspectos da minha vida. Dentre eles, os fantasmas do meu passado. Sou assombrada por uma série deles, e percebi então que se não fosse o apoio dos meus amigos não teria como continuar em frente. Pude perceber também que nem todo mundo que se diz meu amigo realmente está ao meu lado nos momentos que eu mais preciso. Levando em conta que minha fase atual é a de renovação, decidi por fim deixar algumas coisas para atrás, no passado, incluindo algumas pessoas. Não que elas tenham deixado de ser importantes pra mim, ou que eu as ame menos do que antes mas... A verdade é que vivemos as consequências de nossas escolhas. Em algum momento da vida de uma pessoa ela decidiu optar por algo que acabou não me incluindo nisso. Uma relação amorosa, por exemplo. Ela poderia manter a amizade e a relação? Poderia. Mas escolheu não fazê-lo.
Daí eu xinguei, chorei, me desesperei; "Ah não, não admito perder meu amigo!". Entrei na fase do "Preciso fazer alguma coisa" e "O que existe entre nós nunca vai acabar". Mas... A verdade é que já tinha acabado fazia tempo. Eu (nós, né titia?) é que neguei até o ultimo momento. Meu aniversário chegou, o dia marcado pra comemoração veio, mas a pessoa não. Os parabéns mandados via mensagem não supriram o tamanho do buraco que se formou na relação, e então eu notei com quem poderia contar a partir daí. Quem sempre esteve ao meu lado. Quem, faça chuva ou faça sol, faz um tremendo esforço pra me ver, quem atura minhas crises, quem ri das piadas. Escolhi permanecer com eles, que sempre fizeram tudo por mim. Os outros... Bem... Os outros vão estar sempre no meu passado, num lugarzinho especial no coração, mas já não possuem mais espaço na minha vida. Daqui pra frente, seremos nós. Eu e minha irmã, e nada vai nos separar, nem a morte. Mesmo que uma de nós morra, a outra vai atrás, nem que seja no Inferno, nem que seja em outra vida.
E pra você, amigo... Até mais. Não vou dizer Adeus, pois ainda tenho esperanças no seu retorno. Mas meu orgulho me impede de rastejar atrás de você por alguns minutos de atenção. Você sabe onde eu moro e onde eu trabalho. "Ouça, pequena criança. Virá um dia que você poderá dizer, não importa a dor ou a irritação, que há um jeito melhor para eu e você... Adeus meu amigo. Eu sei que você se foi, mas eu ainda sinto você aqui. Você precisa manter-se forte antes que a dor se transforme em medo. Estou tão feliz pelo que fizemos, o tempo nunca mudará isso."
E agora, é seguir em frente, titia. Temos o mundo todo pela frente, e ele é pequeno demais pra nós duas (e o Shura, porque... né?)
Viva Forever
Obs: Eu tive um surto de Spice Girls também nessa semana. Citei dois trechos de duas letras delas, uma logo no começo é Viva Forever, e a outra é Goodbye. Curiosamente, as letras das músicas delas sempre arrumam um jeitinho de se encaixar em alguns momentos da minha vida. Vai entender!
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Carta aos meus amigos.
Minha vida não anda lá aquelas coisas. Tenho um emprego que me sustenta, mas não me faz feliz. Vou mal das pernas quando o assunto é dinheiro, e a saúde não vai bem, obrigada. Meus únicos momentos de diversão são quando durmo... As vezes me distraio lendo algum livro. Sei que no fundo não posso reclamar. Tem muita gente por aí que gostaria de ter uma vida como a minha, e que trocaria de lugar facilmente comigo, afinal, sei e tenho consciência de que não passo de uma garota mimada da classe média, que gosta de reclamar dos traumas de infância só para ter um assunto mais interessante nas raras conversas de bar.
Mas... O que faz valer a pena?
O que me faz seguir em frente é aquilo que me segue de outras vidas, suponho. É o que me dá forças, e me dá esperanças também. Aquilo que me ergue nas horas mais difíceis, o que motiva (quando está longe) e sana minhas lágrimas.
Sou filha única e sempre convivi com meus fantasmas pessoais desde cedo. Era daquelas que, nas viagens á praia, me aproximava de qualquer outra criança só pra ter um pouco de companhia, pra variar. De uns anos pra cá, por conta de decisões pessoais e de ocorridos da vida, percebi que a tendência era a solidão. Sei que acabarei sozinha... Todos acabaremos. Mas... Eu tenho certeza que se depender de vocês, meus amigos e irmãos, eu sempre terei um remédio pras minhas dores, um ombro onde chorar e um sofá confortável e quentinho onde me abrigar da vida fria e cruel.
Nos conhecemos de outras vidas, isso eu tenho certeza. A coisa mais profunda que me aconteceu em anos, e duvido que exista alguma outra que se equipare a isso. Só queria que a vida parasse de me pregar peças e de ficar levando todos vocês pra longe de mim, me convertendo ao estado de torpor que a solidão me causa.
Amo vocês mais do que tudo o que poderia amar. Amo como se fossem meus irmãos, e acho que isso é muito, uma vez que não tenho irmãos de sangue. Não sei viver sem vocês, não consigo... E por mais que eu tente, sinto que acabarei por perder totalmente minha sanidade.
Só queria ter vocês por perto. Mas... Quem ama deixa livre, não é?
E eu amo tanto vocês que, dessa vez, vou deixar meu egoísmo doentio de lado, e deixar que vivam suas vidas, onde quer que elas os levem... Mesmo que seja pra longe de mim.
Eu vou ficar aqui... Esperando... Com minha sanidade por um fio nesse meio tempo, só na esperança de que um dia possamos voltar a dar risadas e beber algo refrescante á sombra, num dia de calor.
Vou morrer de saudades, mas também vou morrer de felicidade na hora que vocês voltarem.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Carta ao Professor.
Pensei boa parte do dia em como fazer uma homenagem ao senhor, professor.
Queria que fosse algo especial. Algo digno de sua pessoa, de sua inteligência... De sua tamanha sabedoria.
Daí percebi que nada mais sou que uma reles aprendiz. Uma aluna de suas ideias mirabolantes, de seu mundo fantástico e de sua persona, sempre coerente e pronta para pensar profundamente acerca do mundo que o cerca.
Com o senhor, aprendi a escrever. Não que não fosse alfabetizada, mas que, antes, não colocava sangue e suor e meus textos. Antes, as palavras não saíam de mim. Eu não sabia que, para escrever bem, era necessário sofrer. Sofrer com a dor de querer expressar algo que se sente, que se pensa, mas que, ao buscar as infindáveis palavras, não se consegue. Aprendi que escrever dói.
Mas também descobri que, quando consigo atingir meu objetivo, tamanha é a minha felicidade ao ler algo que eu pude expressar perfeitamente com palavras, para que outras pessoas possam entender e conhecer.
Digo, hoje, que me tornei uma pessoa melhor. E posso dizer, também, que foi graças ao senhor.
E, por mais engraçado que pareça, foi dessa forma, professor, que descobri que acreditar em Deus não é nenhuma vergonha. Mesmo que esse Deus não exista.
Obrigada por existir. E que Valinor seja tão linda como eu a imagino. Espero poder encontrá-lo por aí, quando for minha hora de partir.
Queria que fosse algo especial. Algo digno de sua pessoa, de sua inteligência... De sua tamanha sabedoria.
Daí percebi que nada mais sou que uma reles aprendiz. Uma aluna de suas ideias mirabolantes, de seu mundo fantástico e de sua persona, sempre coerente e pronta para pensar profundamente acerca do mundo que o cerca.
Com o senhor, aprendi a escrever. Não que não fosse alfabetizada, mas que, antes, não colocava sangue e suor e meus textos. Antes, as palavras não saíam de mim. Eu não sabia que, para escrever bem, era necessário sofrer. Sofrer com a dor de querer expressar algo que se sente, que se pensa, mas que, ao buscar as infindáveis palavras, não se consegue. Aprendi que escrever dói.
Mas também descobri que, quando consigo atingir meu objetivo, tamanha é a minha felicidade ao ler algo que eu pude expressar perfeitamente com palavras, para que outras pessoas possam entender e conhecer.
Digo, hoje, que me tornei uma pessoa melhor. E posso dizer, também, que foi graças ao senhor.
E, por mais engraçado que pareça, foi dessa forma, professor, que descobri que acreditar em Deus não é nenhuma vergonha. Mesmo que esse Deus não exista.
Obrigada por existir. E que Valinor seja tão linda como eu a imagino. Espero poder encontrá-lo por aí, quando for minha hora de partir.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Vinte e cinco
E hoje (na verdade amanhã, 20/08. Eu acordo cedo e não rola esperar até meia-noite pra postar o texto) é o dia do ¼ de século da irmã que eu escolhi ter.
Hoje é o dia em que eu posso comemorar o fato de ela, um dia, ter nascido.
Assim, eu tenho, hoje, uma pessoa com quem rir, e uma pessoa pra quem chorar.
Lembro que, quando nos conhecemos, você disse que iria
começar a usar cremes anti-rugas aos 25. Que se fosse pra ter filhos, seria
antes dos 25. E que, quando se casasse, usaria um vestido com 25 caudas de
metro (?!).
Hoje, muito tempo depois, vejo como as coisas mudaram na sua
vida. Como éramos inocentes. E como tudo, mesmo parecendo estar pior, melhorou.
Você ainda é a mesma de sempre. E agradeço cada dia mais por
existir na minha vida. Mas vejo que você está mais madura. O que é bom, pois você nunca gostou muito de verde.
Vejo como que duas pessoas completamente diferentes podem
ser tão próximas em sí, e como uma não consegue, mesmo distantes, viver sem a
outra.
Quero que esse seu novo ano seja bem diferente dos
anteriores. E melhor. Que tudo de ruim de afaste, e que seu imã pra criaturas
bestiais quebre; melhor! Que ele inverta de pólos!
Te desejo roupas bonitas, livros bons, cafés glamourosos e
Melissas bonitas e confortáveis.
Desejo que você seja feliz, mesmo sabendo que finais felizes
não existem.
E, se eles existirem mesmo, que você seja a primeira a me
mostrar isso.
Te amo Hachiko.
Nana.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Quando eu era criança...
Sonhei ser muitas coisas.
Primeiro quis ser dona de uma floricultura. Depois, quis ser pintora de quadros. Daí quis ser escritora de romances.
Sonhei ser arqueóloga. Depois, em ser cantora. Daí, quis ser atriz.
Sonhei muitas coisas pro meu futuro.
Só não poderia adivinhar que seria uma tremenda idiota.
Primeiro quis ser dona de uma floricultura. Depois, quis ser pintora de quadros. Daí quis ser escritora de romances.
Sonhei ser arqueóloga. Depois, em ser cantora. Daí, quis ser atriz.
Sonhei muitas coisas pro meu futuro.
Só não poderia adivinhar que seria uma tremenda idiota.
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