segunda-feira, 16 de abril de 2012

Eu também sinto saudades

Mas devo dizer que são saudades diferentes.

Saudades daqueles que se foram, mas não voltam mais. Saudades de um época que me trouxe muitos risos, mas que acabou.

Sinto saudades de cheiros, de sabores. Saudades de sons de risadas que, por mais que eu negue, marcaram minha vida.

Sinto saudades do que hoje eu repudio.

Sinto saudades dos meus avôs e avós, do meu poodle e dos meus brinquedos que quebraram. Saudades do tempo em que brigar pela internet era algo maduro e fora do comum.

De todas essas saudades, a que mais me dói é aquela que vem embargada de nostalgia. Quando junto com aquele sentimento gostoso vêm a dor da decepção e a mágoa adormecida.

Eu também sinto saudades das risadas, dos jogos de RPG e daquele tempo que não volta mais, minha cara. Mas hoje eu sei, e posso afirmar claramente:

Não me fazem falta.


sábado, 31 de março de 2012

10 fatos sobre mim

1- Não sou vegetariana. Não como carne porque não gosto.
Muito embora ache muito interessante a ideia, minhas crenças pessoas fazem com que eu desacredite que deixar de consumir carne fará do mundo um lugar mais justo para com os animais. E eu não estou defendendo posição alguma, apenas expondo meu ponto de vista.
Além do que, já tentei ser uma adepta há anos atrás, e em todas as vezes fui parar em um Pronto Socorro, já que tenho um problema de saúde que faz com que eu perca proteína pela urina. É eu deixar de consumir carne e lá vou eu pros complexos vitamínicos e para o soro.

2- Eu não curto o ideal pirata de ser.
Foi moda na época do "Piratas do Caribe" um zilhão de pessoas aderirem ao estilo de vida Pirata. Principalmente pras bandas do bairro da Liberdade, em São Paulo.
Não, eu não fazia parte daquele grupo. E não, não me arrependo disso.

3- Não gosto de Odin, não acredito em paraísos nórdicos e muito menos desejo ser um.
É costume dos fãs de Metal e adjacentes venerarem a mitologia nórdica a extremos, e achar que todo mundo que curte esses estilos musicais também o faz.
Queridos, acreditem, não! Eu mesma detesto. E se você namorasse um cara que se dissesse encarnação de Odin no mundo contemporâneo, você também detestaria, fikdik.

4- Não gosto de Legião Urbana.
Simples assim. Não gosto da banda. Muito errado o que esses grupos de estilos musicais fazem: essa banda todo mundo TEM que gostar, TEM que amar, TEM que venerar.
Na boa, acho merdinha boa parte das letras, e não vai ser porque meio mundo diz ser perfeito (sem nem escutar todas as músicas, a não ser os grandes sucessos) que vai me fazer mudar de ideia.
Sou muito mais Cazuza, embora eu sabia que nem rola comparar um com outro.

5- Não gosto de Velhas Virgens e afins.
Errado também é achar que eu gosto de bandas assim. Seria bem hipócrita da minha parte, já que critico muito as músicas de funk pelas letras cretinas e abusivas contra as mulheres. Não sou feminista, só tento ser o mais justa possível.
Muito embora eu admita que a "roupagem" Velhas Virgens é MUITO melhor do que a dos funk's da vida.

6- Curto a cultura japonesa mas não anseio ser uma descendente.
E isso se enquadra pra muitos amigos meus. Certeza.
Só porque a gente curte animes, doramas, mangás, músicas e cultura japonesa em geral, não significa que todos nós queiramos ser japoneses.

7- Não gosto de debater.
E o motivo é simples: quase ninguém que eu conheço sabe debater. Na maior parte do tempo só tendem a mostrar o motivo de estarem certos e você, errado. Um debate de verdade sempre leva em consideração ambos os lados e, principalmente, gozam de todo um respeito para com o outro lado.
Desconheço um número razoável de pessoas que sejam capazes de fazer isso. Nem eu sei se sou capaz disso.

8- Não gosto de Metallica.
Um adendo muito importante sobre minha pessoa. Eu sou fã de Iron Maiden. Jamé de Metallica. Não pela banda ser ruim ou algo do gênero. Sei da qualidade do som dos caras e os respeito muito. Só não gosto. Simples assim.

9- Não sou cristã.
Embora minha mãe tenha me enfiado nesse mundo cristão logo cedo, de forma alguma eu pertenço a ele. Não me identifico com seus pensamentos e crenças, e muito menos com a maioria das pessoas que encontrei no meu curto caminho frequentando missas e cultos. Não sou metida a satanista nem nada do gênero, só não acredito.

10- Não me importo com o que pensam sobre o que escrevo.
Só escrevi isso aqui no blog pois sei que ninguém, além dos meus amigos, o leem. E achei um tanto desrespeitoso para com aqueles meus companheiros que não sabem debater.
Problema seu se discordou e achou desnecessário. Se você é um desses e for comentar algo, nem tente. Eu nem vou ler e vou excluir mesmo, como já fiz com os outros.
É... E eu não sei lidar bem com críticas. Pelo menos não com aquelas vindas de semi-analfabetos que eu desconheço.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Cacos, chicletes e mosaicos.



"Tristeza é que nem chiclete. Você tem que mastigar e mastigar, até que vire uma massa sem gosto e sem graça... Aí você cospe."*

Certa vez escutei essa frase, e ela ecoou em minha mente até então. E no dia de hoje, eu queria ter me lembrado dela, em uma súbita intervenção telefônica, regada a ressentimentos, dúvidas e lágrimas.

Por isso, vou escrever agora. Por isso, vou falar o que, naquela hora, não tive como dizer.
Você me disse que estava quebrada. Que não tinha mais o que fizessem com você, não sobrou um pedacinho inteiro. Você me disse estar em cacos.
E é aí que eu lhe digo, após remoer meus pensamentos entre as divagações eternas e absurdas dos meus colegas.
São dos cacos que nascem as melhores obras de arte. Os mais belos mosaicos, as mais lindas esculturas são moldadas em "cacos" de pedras, os fantásticos vitrais das catedrais góticas... O que é a música, se não a junção de seus "cacos", as notas musicais? E as pinturas, fragmentadas em cores e formas, partículas e mais partículas de pigmentos e porções de tinta.
As mais saborosas comidas são constituídas em partes; em "cacos" de sabores que, se consumidos separadamente, podem nos entorpecer tamanho o enjoo que nos causam.
Na natureza, a estrela-do-mar é o exemplo de regeneração. Por mais partes que você a divida, sempre surgem reconstituições, reproduções, vindas de seus "cacos".

Você está em cacos, sim. Mas o mundo não vai parar para que você possa colá-los.

Camilla, ninguém é inteiriço. Todos nós, seres humanos, somos feitos da junção de milhões de "cacos", que são quebrados e recolocados ao decorrer de nossas vidas.
Eu sei que você, inteligente e forte como é, vai conseguir juntar todos os caquinhos e montar um lindo mosaico e, assim, esfregá-lo na cara do mundo.

Mas enquanto você cria esse desenho juntando seus cacos, mastigue esse seu chiclete. Uma hora o sabor acaba, o amargo passa e, quando seu maxilar doer depois de tanto mastigar... Cuspa!

Mas cuspa na cara deles, ok?! ;)




* Escutei essa frase no terceiro episódio da série da TV Cultura, "Tudo o que é sólido pode derreter". Quem quiser pode assistir os episódios gratuitamente aqui.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Chega de sonhos

Há alguns anos atrás, quando resolvi abrir mais um blog, não tive muito em que pensar quando escolhi o título “Dream”. Creio que é bem autoexplicativo. O sonho, pra mim, sempre foi a única forma em que eu poderia escapar da minha dura realidade; onde tudo sempre foi possível. Quando eu cresci, entrei na faculdade e comecei a estudar a fundo tudo aquilo que sempre me fascinou na história do mundo, acabei por mesclar meus sonhos com meus planos futuros. Coloquei-os em minha vida como um plano de metas, com as quais eu deveria seguir e cumprir. Meus sonhos se tornaram meus planos de vida.

Afoguei-me em utopias cem anos mais velhas que eu.

Logo quando terminei minha graduação e caí no mundo real, me deparei com um lugar que nada tinha de encantado, a não ser a grande quantidade de vilões que nele viviam.

E aqueles sonhos, que antes me impulsionavam para frente, adiante... Prendiam-me mais e mais a um passado frio e limoso, que em nada me acrescentava à vida.

E nesse momento eu me perdi.

Perdi-me entre sonhos funestos, que mais posso chamá-los de pesadelos. Minha vida pessoal virou um inferno, até hoje recolho os cacos da minha vida profissional. E então, tristemente, percebi que toda essa minha fascinação pelo mundo dos sonhos acabou se tornando um fardo.

Sonhei tanto que por muito tempo esqueci-me de viver vida. Estive ausente de mim mesma. Estive ausente do meu mundo, vivendo sonhos mofados de pessoas que sequer os tentaram viver.

Essa noite, eu sonhei. Mas não foi com você.

Nessa outra noite, quero um sono sem sonhos. Uma mente livre de pensamentos, bons ou ruins. Apenas a escuridão e o nada.

Chega de sonhos. Ao menos essa noite.

domingo, 28 de agosto de 2011

Entre prazos de validade e galhos

Gente deveria vir com prazo de validade marcado na pele. Assim, eu não perderia meu tempo com certas pessoas, já sabendo que minha relação com elas duraria pouco tempo, mesmo eu mantendo-as longe do alcance de crianças e em lugar fresco e arejado.
O problema de a gente não saber se alguma de nossas relações interpessoais estão vencidas, é que acabamos por consumir um produto estragado sem saber. E quando percebemos, já estamos com um nó no estômago e um gosto amargo na boca, daqueles que impregnam no fundo da língua e anticéptico nenhum consegue tirar. A única solução é raspar... Mas isso dói.
Uma relação minha venceu recentemente. Bem... Se eu for avaliar profundamente, o produto do qual eu estava me embebedando em "amizade" já havia vencido há muito. Eu é que não percebi.
Nesses dois últimos dias vivi um turbilhão de emoções, sendo que nenhuma delas foi das mais agradáveis. Passei da indignação à mágoa, e depois da mágoa a nostalgia, para enfim me enterrar no ódio, seguido da letargia pós-dor.

Dói.

Sinto-me como um pequeno arbusto, daqueles que a gente compra nas feiras livres. Todos muito viçosos em simples vasos de barro ou cerâmica, mas que toda boa criança ou sacola gosta de arrancar um galho. A cada galho, uma fisgada. A cada fisgada, uma sensação de impotência, de indignação. E depois a solidão da recuperação... Cicatrizar o que não pode ser cicatrizado. Feridas que jamais se curam, mas que ficam ali, marcadas, como um enfeite sádico da vida.
Arrancaram mais um de meus belos e viçosos galhos, e não sei se tenho forças suficientes para vê-lo morrer, caído no chão, separado de meu tronco. Mas graças a minha forma egoísta de encarar o mundo, prefiro ver meus galinhos morrerem diante de meus olhos, do que vê-los sendo carregados, nas mãos de um moleque qualquer, que o arranca e o leva. O conserva em um copo d'água, crendo ser aquele o melhor lugar para ele.
Mais um galho foi arrancado. E agora o vejo nas mãos (justamente) de um moleque qualquer, que o leva para longe... Para dentro de um profundo copo de promessas e dúvidas.

A mim, resta o gosto amargo e a cicatriz... Algo que só o tempo vai poder tirar ou curar.

Agora, sou uma árvore quase seca. Como aquelas que a sua vizinha chata faz questão de jogar golfadas de água quente nas raízes.
Minhas raízes estão queimadas... Meus galhos arrancados, mas as poucas flores que ainda permanecem, me tornam a árvore mais bonita da cidade.

Meu galinho morreu.

Só não sabe disso ainda.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Abaporu e Eu


Depois de muitos meses e litros de lágrimas e suor, estou voltando, mas não sei se essa volta é permanente. Estou aqui pois tenho a necessidade psicológica, e porque não dizer, física de escrever o que sinto nesse momento da minha vida.
Há uns dias, fui demitida do meu emprego de professora contratada no Estado de São Paulo. Um grande equívoco com meu contrato, que não vem ao caso agora. Também iniciei mais uma etapa acadêmica da minha vida, minha Pós-Graduação em História da Arte. Tudo estaria bem, se não fosse essa estranha sensação que domina minha mente, minha alma e meu coração.
Aquela boa e velha indagação, por vezes associada à adolescência: quem sou eu?
Em uma de minhas aulas, acabei por me deparar novamente com o quadro da Tarsila do Amaral, o Abaporu. E tive a minha primeira experiência de fruição, que independeu ou ignorou meus conhecimentos prévios de leituras históricas e artísticas acerca do Modernismo.
(A partir daqui devo deixar claro que essa é uma leitura muito pessoal da obra, que em nada, ou quase nada, tem a ver com a proposta modernista de suas obras)
Em meu exercício experimental de curadoria, pude notar como o Abaporu é triste. Mas, a princípio, não soube o porque. E foi então que, analisando sua situação como um ser vivente e ciente de suas condições e proporções descomunais, comecei a pensar se ele não seria triste por isso. Uma criatura disforme, emoldurada eternamente para a admiração e a repulsa alheias... Criatura incompreendida e incapaz de mudar, presa física e emocionalmente naquele estado vegetativo; o estado de contemplação (alheia).
Seriam seus pensamentos próximos a conformação, como sugerem as posições de seus braços e de sua cabeça, levemente reclinada, enquanto seus olhos tristonhos e vazios contemplam o nada? Saberia este pobre Abaporu, que o mundo o vê como um monstro? Que o mundo o julga como o símbolo do desgraçado povo brasileiro? Será que Abaporu gosta desse seu estigma?
Triste Abaporu, ciente de sua monstruosidade e de todo seu significado para a arte mundial... Sem poder, ao menos, ser feliz. Abaporu sabe que sua situação não vai mudar, sabe que, para ele, nada mais tem jeito. Sabe que sua vida está acabada ali, sem ao menos tê-la vivido. Abaporu é triste.
E aqui eu caio, novamente naquela minha questão: quem sou eu? E eu vos respondo. Eu sou Abaporu.
Um misto de sentimentos desconexos e pensamentos sem forma, que se misturam e acabam por criar um ser sem definições exatas, que desafia a compreensão alheia e os sentidos daqueles que se atrevem a entendê-los.
Enquanto tentava seguir minha graduação, meus professores sempre me chamavam a atenção para meu alto grau de poesia em meus escritos acadêmicos. Intitulavam-me rebelde. Pediam-me maior precisão e rigor acadêmicos. Agora que estou na minha especialização, meus professores me pedem mais poesia; pedem que eu seja menos metódica, e que eu sinta mais.
E quem que é a criatura que não sabe mesmo o que quer?! Sou eu?
Quem não tem, ainda, pensamentos e sentimentos definidos? Eu? Meus professores? O mundo com relação a mim, ou eu com relação ao mundo que me cerca?
Eu sou o Abaporu.

Sou (mesmo) eu, o Abaporu?



"Abaporu", pintura de óleo sobre tela de Tarsila do Amaral, 1929. Coleção Particular

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A (dura) educação paulista

Nesse ano em que tive a honra de trabalhar como professora PEB II no Estado de São Paulo, pude perceber o outro lado da educação paulista. O lado que quase ninguém vê.
Os professores (e os alunos também) são massacrados por medidas governamentais descabidas a fim de melhorar a situação do nosso patamar educacional. Ora, pois a educação brasileira é, de fato, uma das mais pobres em questão de recursos em sala de aula e, muitas vezes, pobre até em número de escolas.
Pude notar também que os problemas são, de fato, monstruosos, mais até do que nós imaginamos. Por um lado, um governo preocupado aparentemente em formar novas mãos-de-obra pra trabalhos técnicos e, por vezes, dispensáveis. Por outro, uma classe desunida e sem amparo, a dos professores. Tanto a greve, quando meus HTPC's, me mostraram que o problema da educação brasileira, especificamente em São Paulo, é mais profundo em raízes do que nós imaginamos.
Ao decorrer da história surgem vários momentos de transição. Estes, por sua vez, se tornam os mais caóticos com relação às identidades, sejam essas sociais ou individuais. Logo, a educação brasileira (principalmente no estado de São Paulo) está passando por uma fase de transição. Porém, esse processo ocorre de uma maneira imposta, ou seja, não existe a adaptação dos seres sociais envolvidos. Portanto, as tais competências e habilidades (tão aclamadas pela pedagogia atual) ficam atreladas a valores, por vezes retrógrados, o que atrapalha a criatividade e a evolução do aprendizado, tanto do aluno, quanto do professor.
O essencial seria reformas profundas em todas as classes da educação, ao meu ver, começando pelos ideais, modificando ideologias para, com ações conjuntas, modificar pontos cruciais dentro das escolas. Essa reforma deve contar com o apoio da família dos alunos, do corpo docente e de toda a gestão escolar, sem esquecer da postura coerente do governo.
Processos seletivos simplificados e currículos unificados não vão modificar a situação precária das nossas escolas. Reformas profundas de ideologias e medidas de valorização, tanto do aluno quanto do professor, sim! Persistir em tais medidas vãs apenas continuarão "tapando o Sol com a peneira".