domingo, 15 de outubro de 2017

É quem pode mudar o mundo


Quando eu era criança, jamais sonhei em ser professora, muito embora minha brincadeira preferida fosse dar aula às minhas bonecas.
Cresci ouvindo que ser professor era terrível. Cheios de responsabilidades, desvalorizados moralmente e financeiramente. Ninguém respeitava o professor. Quem ia querer ser professor aprendendo isso a vida toda?!
Cresci, escolhi minha graduação já sem a intenção de lecionar.
Mas não consegui escapar da profissão que me escolheu tão cedo. Porque acredito que foi isso... A profissão me escolheu.
Não por eu ser melhor que outros, ou por eu ter mais capacidades. Mas porque eu sempre quis mudar o mundo.
E ser professor é isso. É você acordar todos os dias, cansado das atitudes dos alunos, cansado do ambiente escolar maçante e desgastante; é pensar em mudar de área pois não aguenta mais a falta de interesse daqueles a quem você se dedica diariamente. É se empolgar com as aulas preparadas e chegar na escola só para descobrir que nada do que você planejou pode ser colocado em prática como você imaginou e, mesmo assim, ter que seguir em frente. É lidar com um governo que te desmoraliza perante a sociedade, te taxando de vagabundo enquanto você é o único que, deveras, se importa com as futuras gerações.
É portar o estandarte da luz da sabedoria enquanto o mundo fica nas trevas da ignorância, nessa batalha tão sofrida que é a educação desse país.
Sofremos tantos ataques justamente por isso: somos os últimos guerreiros em pé nessa cruzada contra a manipulação das mentes por parte dos governos maquiavélicos, onde os meios nada importam, mas os fins os justificam.

Sei quão dura é essa batalha. E não julgo os que caíram no trajeto, uma vez que esse ano mesmo eu já pensei diversas vezes em abandonar meu posto.

Mas lembrei da Deborah criança, e da vontade dela de mudar o mundo. E eu estou aguentando, em respeito a ela. Porque, bem no fundo, eu sei que alguma mudança eu já fiz.
Parabéns pelo nosso dia. E força. Muita força.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Desabafo neste Dia do Orgulho Nerd: a vez que me fizeram crer que eu era burra demais para entender Douglas Adams

Chegada essa data maravilhosinha, em que nós, nerds, podemos celebrar e espalhar nossa cultura (e sair por aí com uma toalha enrolada no pescoço), me vejo lembrando de uma situação vivida por mim, há uns dez anos (marromeno). A púbere Deborah (essa aqui que vos fala), aos 15 aninhos de idade, foi taxada como burra demais para ler e entender o humor de Douglas Adams e a trilogia (de cinco livros, risos) do Guia do Mochileiro das Galáxias.
Se não me falha a memória, o ano era 2004. Eu cursava o primeiro ano do ensino médio e tinha um namorado novo, do qual eu gostava MUITO. O rapaz era cinco anos mais velho que eu (sim, ele tinha 20 anos de idade. E, sim, deve ter alguma coisa muito ilegal nisso) e eu convidei o mancebo para a festa junina do meu colégio.
Como morávamos longe um do outro dificilmente conseguíamos nos ver sem que um ou outro enfrentasse 2h de ônibus e metrô. Normalmente era eu quem fazia o trajeto, todos os domingos, de manhã cedinho, e voltava tarde da noite para casa e escutava minha mãe brigar horrores (hoje vejo que era com toda a razão). Também era comum que eu ligasse todos os dias para ele, sem falta, e passássemos horas seguidas ao telefone, conversando ou, o mais comum, em silêncio. Não era uma relação fácil. Era meu segundo namoro, eu era muito nova e sem qualquer experiência. Ele era mais velho e vez ou outra se aproveitava e fazia origami com meu papel de trouxa.
Hoje eu sei que vivia em um relacionamento abusivo. Ele, mais velho e experiente, cheio de si e dos mil contatinhos. Pronto para jogar na minha cara que ele era bom demais, que eu tinha sorte em estar com ele.... Que meus amigos eram muito fracos, muito feios, muito burros e ignorantes. Que eu ainda era muito menina, mas que ele me mostraria coisas boas, de qualidade, que sozinha eu JAMAIS conseguiria descobrir. Eu deveria agradecer por ter a chance de ser a namorada dele.
Enfim.... Essa festa junina: foi bem chata. Ele e mais duas colegas de colégio, junto a mim, decidimos que seria melhor ir para o shopping e ver algum filme no cinema. Foi feito. Maior parte do tempo a gente se divertiu, mas vez ou outra ele soltava piadinhas sobre como eu e uma das colegas não conseguiríamos entender um filme X que estava em cartaz. O clima ainda estava agradável. Ainda...
Chegando no shopping, ficou decidido que veríamos a adaptação do Guia do Mochileiro das Galáxias (que eu não conhecia bem, até então), mas logo na fila as piadas dele começaram a irritar minhas colegas. Afinal de contas, quem é que gosta de ser chamado de burro? Quem concordaria com uma pessoa que se julga superior a você, sem conhecer todas as suas capacidades e, por se julgar superior, se acha no direito de te rebaixar?
Bem... Eu concordei.
Meu medo era tanto de brigar com ele e provocar MAIS UMA discussão que eu só me calava. Eu abaixava a cabeça e aceitava, pois não podia perde-lo. Afinal de contas, ele era muito bom. Eu não. Ele era muito inteligente. Eu não. ELE me julgou incapaz de entender Douglas Adams. Eu acreditei.
Foram alguns meses de uma relação doentia, onde me tornei totalmente dependente dele e das neuras dele. Quando a relação acabou, me vi doente, sem vontade de comer, sair de casa ou viver. A única coisa que me manteve lúcida, foi estudar. Curiosamente, no bimestre em que nos separamos, foi o bimestre em que minhas notas foram as mais altas.
Anos depois, e com mais experiência, percebo a quão burra eu fui em acatar com essa e demais ideias que ele tinha sobre mim. Poxa, ele nem me conhecia e resolveu ensinar a mim o quão superior ele era e como eu, aos 15 anos de idade, deveria viver e me comportar para ser digna dele. Ele, um cara maior de idade que só se envolvia com garotinhas, provavelmente porque elas eram mais fáceis de manipular.
Enfim...
Fiquei um bom tempo sem realmente ler O Guia pois, de fato, me sentia rebaixada e incapaz de compreendê-lo. Quando, finalmente, me dispus a ir atrás e ler todos os livros, percebi que eu realmente fui burra, mas não do jeito que ele dizia que eu era.
Fui burra por acreditar nele. Fui burra por não ter ouvido o que minhas colegas disseram naquele dia, em frente ao cinema.
Fui burra pois fiz o que fiz ao ter entrado em pânico, pensando estar sozinha sem ele.

Tadinha de mim. Se eu tivesse ignorado esse mancebo e tivesse lido O Guia do Mochileiro das Galáxias saberia, logo na capa, que eu não deveria ter entrado em pânico.


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segunda-feira, 6 de março de 2017

Sobre Logan e meu passado. (SPOILER!)

(Contém spoiler. Se você ainda não viu o filme Logan, não leia. Tem outro aviso mais pra frente, mas já deixo avisado desde já!)


Eu tinha separado esse texto para falar da minha experiência (fantástica) de ter virado a noite dançando numa balada anos 80 aqui de São Paulo, mas urge que eu fale de outro assunto.
Para tal, necessito retornar no tempo e apresentar a Deborah de 17 anos atrás.
Em 2000, eu tinha 10 anos de idade. Era uma pequena nerdzinha, fã de animes, mangás e HQ’s (sim, é possível, vai por mim). Curtia muito as séries, de qualidade questionável, que eram baseadas em jogos (Mortal Kombat, por exemplo) e estava naquela fase de me espelhar nos meus personagens preferidos. Era o começo daquela fase chatinha da adolescência, onde a gente quer se encaixar e pertencer a algum grupo. Você deve estar pensando que foi fácil, já que coisinhas nerds estão na moda e que é cool saber de cor e salteado os nomes de golpes do Goku. Mas em 2000 isso era meio complicado. Ser nerd não era legal. Desenhos e quadrinhos eram associados à infância, e aos 10 anos de idade, quando você é menina, existe uma pressão bem grande para que você vire “mocinha”.
Desenhos de luta não eram pra mocinhas. Histórias violentas não eram pra mocinhas. Super-heróis não eram pra mocinhas. E eu deveria ser uma mocinha. Mas eu não era (e seguindo a lógica, continuo não sendo).
Sempre fui ensimesmada e isso dificultava muito meu entrosamento. Além do que, na minha sala, não tinham garotas que curtissem as mesmas coisas que eu. Elas precisavam ser mocinhas. Eu que não era.
Aos 10 anos de idade, além do problema de ser mocinha, eu lidava com uma doença renal complicada. Era algo com o qual minha família e eu convivíamos desde meu nascimento e que, até então, só evoluía... Pra pior. Existia uma dúvida e uma ameaça velada ao meu bem-estar. Não era incomum que eu sumisse da escola ás vezes porque as crises de febre me acometiam, e eu ia parar no hospital. Quando voltava, era repouso por um bom tempo. Eu não podia viajar para muito longe, não podia comer uma série de coisas e nem praticar alguns esportes. Dificilmente ia dormir na casa dos colegas, ou até passar a tarde fazendo trabalhos porque as crises poderiam vir a qualquer momento. Numa fase em que você está tentando se encaixar, nada disso que descrevi era um facilitador.
Mas eu tinha meus refúgios.
Os dias que eu ficava afastada da escola eram toleráveis graças aos desenhos que passavam na tv aberta. Era bom porque eu tinha minhas revistinhas em quadrinhos e eu podia criar uma série de estórias envolvendo meus personagens preferidos. E no ano 2000 eu estava na fase X-Men.
Porque eles eram mutantes. Eles eram imperfeitos. Eles sofriam com aquelas imperfeições, que os tornavam tão especiais. Na minha cabeça de criança portadora de uma má-formação congênita, eles eram iguais a mim. Eu também era uma mutante, porque nasci diferente e lidava com essa diferença desde que me conhecia por gente.
Quando soube que teria um filme dos X-Men, com atores de verdade, eu pirei. Guardei até a reportagem do jornal que anunciava o grande feito do cinema atual, com uma série de efeitos visuais dificílimos de fazer. Era uma foto da Tempestade (diva), minha mutante preferida <3 o:p="">
Lembro que no dia da estreia, eu estava numa daquelas crises. Febre alta, dores nas costas e cheia dos antibióticos e antitérmicos. Minha mãe não achou uma boa ideia nós irmos ao cinema naquele dia, mas a expectativa era tanta que minha avó resolveu acompanhar. Lembro até do refrigerante que compramos para tomar durante o filme, e da pipoca doce com caramelo meio queimado. Quando algum personagem aparecia, eu tentava explicar para minha avó quem era, e quais os poderes. Fui à loucura quando a Tempestade embranqueceu os olhos e eletrocutou o Groxo. Saí do cinema e, no dia seguinte, estava no P.S. da Santa Casa de São Paulo.
O tempo foi passando. O segundo filme da série saiu, e eu fui com alguns colegas da escola e com um ex-namorado. Era uma fase ruim da minha vida. Além dos problemas de saúde, minha família atravessava problemas financeiros complicadíssimos, e eu vivia uma relação complexa demais para elucidar aqui.
Quando O Confronto Final estreou, eu fui ver com um grande amigo meu. Também na estreia. Cinema lotado, no Shopping Santa Cruz. Minha avó tinha falecido poucos dias antes. Foi difícil lidar.
Quando me formei no EM e ingressei na faculdade, tive meus anos de glória na nerdice. Conheci pessoas com gosto muito parecido com os meus, os filmes que eram adaptações de HQ’s e jogos pipocavam e a internet facilitou demais meu acesso ao material mais raro de encontrar por aqui. Foi a época em que eu reclamei dos filmes mal adaptados e dos enredos sem sentido. Foi a época em que perdi as esperanças de ver meus personagens preferidos retratados de uma maneira eloquente nas grandes telas. Foi quando eu desisti de ver um mutante representando aquela família que X-Men sempre mostrou para mim.
Dezessete anos depois me deparei com Logan.
Aos 27 anos de idade, hoje, me encontro em uma situação muito diferente daquela menina de 10 anos. Tenho uma saúde excelente. Diferente da época em que fui ver o segundo filme, estava cercada de pessoas que amo profundamente. Diferente daquele dia enlutado do terceiro filme, eu estava feliz.


SPOILER! SPOILER! SPOILER!
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Eu pude sentir, plenamente, todas as emoções que esse filme proporcionaria a uma fã como eu, que cresceu e acabou criando laços muito íntimos e pessoais com aquele universo. Ver, com uma ótica adulta, o que teria acontecido com o Logan e o professor Xavier, mesmo que tamanha a decadência, me fez ver que o tempo passou. Eu pude ver, finalmente, uma família de mutantes, por mais torta e desgarrada que parecesse.
Curiosamente, a mutante caçada pelos carniceiros é uma menininha, a X-23. Uma menina que, assim como a Deborah de 10 anos, não é uma mocinha. Uma menininha que desce a porrada em todo mundo. Uma menina que passou por uma série de experiências terríveis num ambiente hospitalar e que (obviamente) por mais fantasiosas que fossem, me lembraram muito os exames e tratamentos mirabolantes aos quais a comunidade médica me submeteu ao longo da minha infância/adolescência. Foi bem difícil não me ver nela; não lembrar da Deborah de 10 anos de idade que se espelhava nos mutantes fantasiosos como uma válvula de escape para uma realidade nada favorável.
Quando o professor se foi, eu vi toda a sabedoria que minha avó representou ao longo da minha vida.
Quando chega a vez do Logan, e a X-23 muda a posição da cruz para fazer um “X”, ela enterrou uma parte do meu passado. Não que isso seja ruim, porque não é. Esse meu passado sempre vai estar ali, para mim. Mesmo que eu quisesse apagá-lo, ele estaria.
Foi bom porque a menininha seguiu em frente. Mudada pelas adversidades da vida dela, mas seguiu. Foi o que eu tive que fazer.
Vi uma entrevista que o Hugh Jackman deu aqui no Brasil onde um fã disse que se despediu de um grande amigo em Logan.
Eu me despedi de um passado extremamente doloroso. Mas que me fez o que sou hoje.




quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hoje, vou escrever apenas por escrever...

Minha cabeça anda cheia de ideias e faz tempo que preciso escrevê-las. Capaz que o frio, o alinhamento dos astros e a postura do rabo da minha gata em fricção com meu altar tenham a ver com essa vontade... Sei lá! O que sei é que muitas coisas andam me deixando atarantada.

Primeiro: é que eu vejo tanta coisa boa na escola onde leciono e, muitas vezes, me entristece saber que várias dessas coisas acabam sendo soterradas, ou deixadas de lado pelo simples fato de que os problemas são tantos que boa parte do tempo útil do pessoal que trabalha ali é destinado a resolvê-los. E quando digo problemas, quero dizer PROBLEMAS. Cara, escola pública sabe? Descaso do governo pra manter o lugar bonitinho, descaso dos alunos em cuidar do patrimônio público, descaso de alguns pais que pensam que a escola deve educar as crianças... É tanta coisa que, se eu for ficar enumerando e comentando, posso publicar um livro épico a lá Odisseia (e olha que nem entrei na questão salarial, hen!).

Pois bem. Tenho alunos ótimos ali. Tenho uma aluna que é viciada em livros. Sempre que ela termina uma tarefa, ou tem um tempinho livre na aula, tira um livro do bolso e devora, ali na sala mesmo, no meio da bagunça dos colegas. E são títulos dos mais diversos: Menino do pijama listrado, Harry Potter, Menina que roubava livros, Caçador de pipas... Acho gratificante perceber como tem pessoas dessa nova geração tão abertas a novas ideias e a esse mundo louco e maravilhoso da literatura. Ainda mais vindo de uma família pobre que não possui o hábito da leitura, pelo que soube na reunião de pais. Isso ela aprendeu na escola mesmo: gostar de ler. Engraçado que, os colegas dela, vendo a menina toda concentradinha, começaram a ir atrás de livros também. Não digo que a variedade de títulos seja impressionante, mas eles estão procurando livros e estão gostando. Aliás, descobriram recentemente os livros de Harry Potter e é pura mania na turma.

Tenho outro aluno que desenha muito bem, é fã de animes e mangás. Também é bem inteligente, e tem um costume aterrador de bombardear todos os professores com zilhões de perguntas de todos os temas possíveis: de invasões alienígenas até história japonesa, de política brasileira até Iluminati. Esses dias veio perguntar pra mim o que eu achava de ele tentar fazer uma estória original pra um mangá. Disse que pesquisou sobre autores brasileiros, editoras e que quer seguir em frente. Cara... Quando que se imagina que no meio desse caos todo que é a educação pública brasileira vão ter pessoas que vão se inspirar e se empolgar com o pouco que lhes é oferecido?

E tem outros casos! Entusiastas de guerras, especialistas em aviões, fanáticos por games que já sabem o básico de programação no ensino fundamental, galera que discute política, dentro dos seus limites, melhor do que muitos adultos e, ainda, com a cabeça bem mais aberta pra receber outras opiniões.
Fico imaginando como seria se, um dia, conseguíssemos evoluir com o ensino público a um patamar onde o que temos a passar atinja a todos os alunos, principalmente aqueles que são desmotivados e acuados nesse sistema bizarro, que cada vez mais parece visar o emburrecimento da população.

O que mais gosto nesse papo de trabalhar com educação é saber que, de alguma maneira, faço parte na formação de alguém, mesmo que minimamente.

Tenho alunos que, ao contrário dos anteriores, sofrem com inúmeros problemas. Seja em casa, com lares desequilibrados, seja com sua saúde, onde dependem do SUS e, muitas vezes, não tem o que fazer a não ser esperar. Tenho alunos com doenças graves, deficiências sérias que atrapalharam seu processo de aprendizado e que, por conta de toda lentidão do sistema e a dificuldade em achar uma vaga com especialista, chegaram até o final do ensino fundamental sem saber ler direito, ou faltou tanto ao longo da vida escolar que, agora que está fora da idade por conta de repetências por faltas, não tem mais ânimo pra seguir em frente.

E sem contar aqueles que vivem á beira de uma explosão. São os tais casos irrecuperáveis, onde não adianta chamar os pais, já que a solução deles vai ser surrar o garoto ou, ainda, ignorar os chamados e viver a vida como se o filho não existisse.

Tenho inúmeros alunos-problema. Sério. Aliás, pode-se dizer que boa parte das escolas públicas é destinada a reclamar/tentar resolver esses casos. Há uns tempos estava falando da biografia de um certo ditador, que não vêm ao caso agora, mas ao decorrer da vida deste homem, disse aos alunos (uma sala difícil, e um aluno-problema-sério) que este homem, em sua infância, sofreu demais com a pobreza e a violência com que o país tratava os pobres; que apanhava em casa, tinha muitos irmãos e começou a trabalhar muito cedo. Ficou acostumado a tratar tudo de forma truculenta e resolver seus problemas por meios nada amigáveis. Eis que o garoto, que estava quieto durante minha explicação, comenta "Nossa fessora, que nem eu esse cara aí. Parece minha vida". Os colegas começaram a rir e ele, sério, continuou a afirmar que era verdade, e narrou resumidamente sua trajetória que, aos 16 anos, poderia ser parte de um roteiro cinematográfico.

Fiquei chocada, e passei a encarar o garoto com outros olhos. Hoje, é um dos que colabora com minhas aulas, embora os demais colegas não se inspirem em seu exemplo. Mas, infelizmente, não tem mais nada que posso fazer a não ser ensinar o que devo ensinar e torcer pra que ele não seja um desses casos de jovens mortos pela polícia, pois estavam envolvidos com tráfico de drogas.

Enfim... Daí pensei em como mudar um pouco as coisas, sabe? Fazer algo diferente, mas ao mesmo tempo dentro desse meio escolar que tanto precisa de alunos como os primeiros que citei. Eles não são melhores que os demais, e não significa que todos devam ser iguais a eles.
Segundo: a verdade é que não consigo pensar em um meio de fazê-lo. Acho que, se eu colocar isso tudo pra fora, como estou fazendo agora, pode contribuir para que novas ideias venham até mim. Daí resolvi vir aqui e escrever só por escrever mesmo. Daí as ideias que eu já "mastiguei" saem e ideias novas, de novos sabores entram, e eu consigo saber qual deles eu mais gosto :)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dia do saco cheio

Já aviso que a postagem não tem plano de voo. 
Eu só estou puta demais, triste demais... Qualquer coisa ruim demais pra ficar quieta E pra ajudar, estou com cólicas e gripada.
Creio que boa parte de tudo isso que acomete meus pensamentos seja culpa dos hormônios que resolvem brincar com meu humor e projetar pensamentos absurdos na minha cabeça. Mas tem coisa que realmente me magoa, e a culpa não é tão hormonal. 
Sabe aquele velho papinho de mensagens (des)motivacionais da internet? "O meu erro é esperar que os outros façam por mim o que eu faria por eles". É. 
Dizem que o ano de 2014 é o ano na astrologia que vai quebrar muitos laços, e unir outros por muito tempo. Já estou com minha dose de laços quebrados há um bom tempo. E já estou de saco cheio de muita coisa na minha vida. Principalmente no que diz respeito as minhas supostas amizades. 
Sempre fui muito carente. Filha única, problemas sérios na família, doente por toda a infância, sofri bullying na escola (principalmente de uma garota mais velha bem cretina que tinha o nome parecido com um produto de limpeza), tive um início de vida amorosa extremamente conturbado... Enfim. Tudo isso fez da minha vida sentimental um belo monte de merda. Recentemente descobri uma expressão em inglês que traduz todo o meu séquito sentimental durante a adolescência, e que me persegue até hoje. Wallflower. Desconhecia essa palavra até dezembro do ano passado, quando resolvi acatar com a indicação da Milla e ver The Perks of Being a Wallflower (com a d.i.v.a. Emma Watson). Daí desabei. Vi muitas coisas da minha vida passando diante dos meus olhos. Vi que estava de saco cheio das minhas atitudes complacentes perante os descasos de muitos desses meus "amigos". Passei boa parte da minha vida sendo coadjuvante da mesma. Apenas via as coisas acontecendo. Nunca fui (ou nunca me senti) o foco de nada. Nunca. Sempre gostei das sombras do anonimato. Sempre invejei as outras pessoas que pareciam tão felizes fazendo sabe-se lá o que que elas faziam. Me enchia de ódio. Amargura. Arquitetava mil planos, ensaiava falas e situações de como agir pra sair da posição em que eu estava. Mas pensar sempre foi muito mais fácil do que agir. E tudo ia bem, mas só que na minha cabeça. Olho as fotos de turma do colégio e percebo que fui invisível. Era como se eu não existisse. Toda uma existência na escola, e não fui lembrada por uma mísera foto. Aliás, eu era tão boa em ser invisível que quando foram homenagear os alunos mais antigos do colégio (estudei lá por 13 anos) colocaram a data errada da minha matrícula na caneta que ganhei de presente. Pensei em dar o piti; o rebucetê todo armado na minha cabeça. Apenas engoli em seco e voltei pro meu lugar. Minha mãe achou absurdo, propôs ligar na secretaria da escola pra corrigir. Me fiz de indiferente e escondi a caneta. Foi pro meu mural interno da vergonha. 
O Ensino Médio não foi de todo ruim. Conheci algumas pessoas que viriam a me tirar da minha situação de espectadora, pro bem ou pro mal. Mas eu não sabia lidar com todas essas emoções, acabei metendo os pés pelas mãos, deixando que meu orgulho falasse mais alto, e quando vi: o angu já tava todo encaroçado. A menina que era uma grande amiga foi pra um lado (ambas putas da vida uma com a outra), minha suposta alma-gêmea parecia ter muito mais coisas com que se importar do que comigo e o signo extremamente solar do meu eterno companheiro de venenos me ofuscava. 
Foi na faculdade que descobri aqueles que pensei que seriam eternos. De certa forma, uma delas ainda é e permanecerá assim, até o fim da existência. Mas ainda assim eu estava me descobrindo. Vi que a vida poderia ser muito mais legal do que apenas ver tudo de longe, passiva. Criei laços de amor e amizade que ficaram marcados em mim. Criei expectativas. Descobri que aquilo era algo que valia, que rolava lutar até a morte pra defender. Eram pessoas que eu dizia com orgulho "eu mataria por você!". Daí a vida aconteceu. O tempo passou, as prioridades mudaram, e eu me vi sozinha. De todas as pessoas que riam comigo, que participavam das brincadeiras, que defendiam a tal amizade, só me restou uma, e ela está há quilômetros de distância de mim. Ironicamente, quem está mais perto se fez mais distante. Mas eu continuei na ideia de que seriam pessoas pelas quais eu mataria. Esse ano percebi que tem gente que, por mais que eu tenha amado no passado, não vale uma gota de sangue ou suor derramado. Eu poderia matar por eles, mas nenhum deles se lembraria do meu nome depois de alguns meses.
Daí resolvi mudar de atitude! Colocar em prática todas aquelas imagens ensaiadas da minha cabeça, com falar e gritos e espetáculos. Me disseram que eu era dramática demais. Mas, caralho, eu passei a vida toda me escondendo dos meus próprios dramas, e quando consigo vencer essa barreia, filho da puta vem me dizer que eu SOU dramática? 
Enfim, fiz tudo na maior classe. Até escrevi um texto aqui (a ideia era mandar na casa do infeliz, mas era "dramático demais"). Pensei que tava abafando. Mas quem leu não era quem eu queria que lesse. O cretino até curtiu a publicação sem ler. Fiquei fula.
Desde então não dei sinais da minha existência. Achei que viriam perguntar como estava, se estava bem, qual motivo de ter sumido. 
Mas, aparentemente, continuo muito boa no quesito invisibilidade. 

Sabe... É pedir demais que as pessoas se lembrem de mim? Sabe... Nem ligo de esquecerem o H no final do meu nome, só quero que saibam quem é Deborah. Mas acho que nem se eu usar meu avental da pré-escola que é bordado em vermelho com meu nome, o pessoal vai saber. E olha que não é porque sou pequena ou comum. Faço questão de aparecer. (Aliás, deve ser por isso que curto tanto coisas chamativas: roupas, cabelo, sapatos, acessórios, etc). Quero ser notada como ser humano. Mas aparentemente nem aqueles que sempre juraram amizade eterna lembram de mim. Daí fica foda pra quem acabou de me conhecer saber que eu sou né. 

Cansei. Se não fosse meu estágio probatório no estado eu dava um jeito de tirar licença de uns meses e sumir por aí. Não dá. Quem realmente se importa comigo faz isso não importando a distância. Sei que posso ir pro sul da Patagônia que, quando voltar, ainda serão meus amigos. Mas acho que tudo seria bem mais simples se eu simplesmente sumisse. De verdade. E por vontade própria. Não pela insignificância que dão pra mim em suas vidas. 

Mas foda-se. Acho que tudo isso é efeito da gripe forte ou coisa assim. Sei que vou dormir e acordar bem pior. Mas depois vou dormir de novo e levantar. O show tem que continuar. E eu vou estar lá, nas coxias, invejando a atriz principal da minha vida, que não sou eu, mas o reflexo do que eu desejo ser: alguém que não eu mesma. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Viva Forever

"Slipping through our fingers like the sands of time, promises made, every memory saved as reflections in my mind"

E nessa semana de recesso escolar eu tive o tempo necessário pra pensar em alguns aspectos da minha vida. Dentre eles, os fantasmas do meu passado. Sou assombrada por uma série deles, e percebi então que se não fosse o apoio dos meus amigos não teria como continuar em frente. Pude perceber também que nem todo mundo que se diz meu amigo realmente está ao meu lado nos momentos que eu mais preciso. Levando em conta que minha fase atual é a de renovação, decidi por fim deixar algumas coisas para atrás, no passado, incluindo algumas pessoas. Não que elas tenham deixado de ser importantes pra mim, ou que eu as ame menos do que antes mas... A verdade é que vivemos as consequências de nossas escolhas. Em algum momento da vida de uma pessoa ela decidiu optar por algo que acabou não me incluindo nisso. Uma relação amorosa, por exemplo. Ela poderia manter a amizade e a relação? Poderia. Mas escolheu não fazê-lo. 
Daí eu xinguei, chorei, me desesperei; "Ah não, não admito perder meu amigo!". Entrei na fase do "Preciso fazer alguma coisa" e "O que existe entre nós nunca vai acabar". Mas... A verdade é que já tinha acabado fazia tempo.  Eu (nós, né titia?) é que neguei até o ultimo momento. Meu aniversário chegou, o dia marcado pra comemoração veio, mas a pessoa não. Os parabéns mandados via mensagem não supriram o tamanho do buraco que se formou na relação, e então eu notei com quem poderia contar a partir daí. Quem sempre esteve ao meu lado. Quem, faça chuva ou faça sol, faz um tremendo esforço pra me ver, quem atura minhas crises, quem ri das piadas. Escolhi permanecer com eles, que sempre fizeram tudo por mim. Os outros... Bem... Os outros vão estar sempre no meu passado, num lugarzinho especial no coração, mas já não possuem mais espaço na minha vida. Daqui pra frente, seremos nós. Eu e minha irmã, e nada vai nos separar, nem a morte. Mesmo que uma de nós morra, a outra vai atrás, nem que seja no Inferno, nem que seja em outra vida. 
E pra você, amigo... Até mais. Não vou dizer Adeus, pois ainda tenho esperanças no seu retorno. Mas meu orgulho me impede de rastejar atrás de você por alguns minutos de atenção. Você sabe onde eu moro e onde eu trabalho. "Ouça, pequena criança. Virá um dia que você poderá dizer, não importa a dor ou a irritação, que há um jeito melhor para eu e você... Adeus meu amigo. Eu sei que você se foi, mas eu ainda sinto você aqui. Você precisa manter-se forte antes que a dor se transforme em medo. Estou tão feliz pelo que fizemos, o tempo nunca mudará isso."

E agora, é seguir em frente, titia. Temos o mundo todo pela frente, e ele é pequeno demais pra nós duas (e o Shura, porque... né?) 

Viva Forever

Obs: Eu tive um surto de Spice Girls também nessa semana. Citei dois trechos de duas letras delas, uma logo no começo é Viva Forever, e a outra é Goodbye. Curiosamente, as letras das músicas delas sempre arrumam um jeitinho de se encaixar em alguns momentos da minha vida. Vai entender!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Carta aos meus amigos.



Minha vida não anda lá aquelas coisas. Tenho um emprego que me sustenta, mas não me faz feliz. Vou mal das pernas quando o assunto é dinheiro, e a saúde não vai bem, obrigada. Meus únicos momentos de diversão são quando durmo... As vezes me distraio lendo algum livro. Sei que no fundo não posso reclamar. Tem muita gente por aí que gostaria de ter uma vida como a minha, e que trocaria de lugar facilmente comigo, afinal, sei e tenho consciência de que não passo de uma garota mimada da classe média, que gosta de reclamar dos traumas de infância só para ter um assunto mais interessante nas raras conversas de bar.




Mas... O que faz valer a pena?




O que me faz seguir em frente é aquilo que me segue de outras vidas, suponho. É o que me dá forças, e me dá esperanças também. Aquilo que me ergue nas horas mais difíceis, o que motiva (quando está longe) e sana minhas lágrimas.

Sou filha única e sempre convivi com meus fantasmas pessoais desde cedo. Era daquelas que, nas viagens á praia, me aproximava de qualquer outra criança só pra ter um pouco de companhia, pra variar. De uns anos pra cá, por conta de decisões pessoais e de ocorridos da vida, percebi que a tendência era a solidão. Sei que acabarei sozinha... Todos acabaremos. Mas... Eu tenho certeza que se depender de vocês, meus amigos e irmãos, eu sempre terei um remédio pras minhas dores, um ombro onde chorar e um sofá confortável e quentinho onde me abrigar da vida fria e cruel.




Nos conhecemos de outras vidas, isso eu tenho certeza. A coisa mais profunda que me aconteceu em anos, e duvido que exista alguma outra que se equipare a isso. Só queria que a vida parasse de me pregar peças e de ficar levando todos vocês pra longe de mim, me convertendo ao estado de torpor que a solidão me causa.




Amo vocês mais do que tudo o que poderia amar. Amo como se fossem meus irmãos, e acho que isso é muito, uma vez que não tenho irmãos de sangue. Não sei viver sem vocês, não consigo... E por mais que eu tente, sinto que acabarei por perder totalmente minha sanidade.




Só queria ter vocês por perto. Mas... Quem ama deixa livre, não é?

E eu amo tanto vocês que, dessa vez, vou deixar meu egoísmo doentio de lado, e deixar que vivam suas vidas, onde quer que elas os levem... Mesmo que seja pra longe de mim.

Eu vou ficar aqui... Esperando... Com minha sanidade por um fio nesse meio tempo, só na esperança de que um dia possamos voltar a dar risadas e beber algo refrescante á sombra, num dia de calor.




Vou morrer de saudades, mas também vou morrer de felicidade na hora que vocês voltarem.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Carta ao Professor.

Pensei boa parte do dia em como fazer uma homenagem ao senhor, professor.
Queria que fosse algo especial. Algo digno de sua pessoa, de sua inteligência... De sua tamanha sabedoria.

Daí percebi que nada mais sou que uma reles aprendiz. Uma aluna de suas ideias mirabolantes, de seu mundo fantástico e de sua persona, sempre coerente e pronta para pensar profundamente acerca do mundo que o cerca.

Com o senhor, aprendi a escrever. Não que não fosse alfabetizada, mas que, antes, não colocava sangue e suor e meus textos. Antes, as palavras não saíam de mim. Eu não sabia que, para escrever bem, era necessário sofrer. Sofrer com a dor de querer expressar algo que se sente, que se pensa, mas que, ao buscar as infindáveis palavras, não se consegue. Aprendi que escrever dói.

Mas também descobri que, quando consigo atingir meu objetivo, tamanha é a minha felicidade ao ler algo que eu pude expressar perfeitamente com palavras, para que outras pessoas possam entender e conhecer.

Digo, hoje, que me tornei uma pessoa melhor. E posso dizer, também, que foi graças ao senhor.

E, por mais engraçado que pareça, foi dessa forma, professor, que descobri que acreditar em Deus não é nenhuma vergonha. Mesmo que esse Deus não exista.

Obrigada por existir. E que Valinor seja tão linda como eu a imagino. Espero poder encontrá-lo por aí, quando for minha hora de partir.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Vinte e cinco


E hoje (na verdade amanhã, 20/08. Eu acordo cedo e não rola esperar até meia-noite pra postar o texto) é o dia do ¼ de século da irmã que eu escolhi ter. Hoje é o dia em que eu posso comemorar o fato de ela, um dia, ter nascido. Assim, eu tenho, hoje, uma pessoa com quem rir, e uma pessoa pra quem chorar.


Lembro que, quando nos conhecemos, você disse que iria começar a usar cremes anti-rugas aos 25. Que se fosse pra ter filhos, seria antes dos 25. E que, quando se casasse, usaria um vestido com 25 caudas de metro (?!).


Hoje, muito tempo depois, vejo como as coisas mudaram na sua vida. Como éramos inocentes. E como tudo, mesmo parecendo estar pior, melhorou.
Você ainda é a mesma de sempre. E agradeço cada dia mais por existir na minha vida. Mas vejo que você está mais madura. O que é bom, pois você nunca gostou  muito de verde.






Vejo como que duas pessoas completamente diferentes podem ser tão próximas em sí, e como uma não consegue, mesmo distantes, viver sem a outra.

Quero que esse seu novo ano seja bem diferente dos anteriores. E melhor. Que tudo de ruim de afaste, e que seu imã pra criaturas bestiais quebre; melhor! Que ele inverta de pólos!


Te desejo roupas bonitas, livros bons, cafés glamourosos e Melissas bonitas e confortáveis.
Desejo que você seja feliz, mesmo sabendo que finais felizes não existem.
E, se eles existirem mesmo, que você seja a primeira a me mostrar isso.
Te amo Hachiko.




Nana. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quando eu era criança...

Sonhei ser muitas coisas.
Primeiro quis ser dona de uma floricultura. Depois, quis ser pintora de quadros. Daí quis ser escritora de romances.
Sonhei ser arqueóloga. Depois, em ser cantora. Daí, quis ser atriz.
Sonhei muitas coisas pro meu futuro.

Só não poderia adivinhar que seria uma tremenda idiota.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

2012 e s(m)eus problemas.

É tanta coisa pra falar que nem sei por onde começar.
Estou tão frustrada, tão puta da vida com esse ano de merda, que sinceramente não consegui traçar uma linha clara de raciocínio para essa postagem. Principalmente porque tem um bando de imbecis, que não me conhecem, mas são cheios de criticar minha vida e o que escrevo aqui, pensando ser algum tipo de blog tentando ser cômico/irônico, e não vida real. Sério, se não entendeu ainda, isso é SIM um desabafo real, não é pra ser cômico ou irônico e, se você acha que é, suma dessa página já!
Enfim... Quando me demiti daquele lixo da Contax, coloquei na minha cabeça que encontraria um emprego na minha área. Afinal, sempre tive as melhores notas no colégio, as melhores notas da faculdade, e na pós-graduação a coisa vai progredindo muito bem. Tenho me dedicado ao meu TCC como jamais me dediquei a algo antes. Meus trabalhos são feitos a base de suor e sangue, de noites mal dormidas e força de raciocínio ímpares. Decidi que merecia algo mais do que o salário mínimo de atendente de telemarketing e os xingamentos dos clientes. Havia decidido, meses antes, quando deixei as aulas do Estado de São Paulo, que encontraria um emprego fixo, em alguma empresa onde eu poderia ficar por anos seguidos, sentindo a doce sensação de dever cumprido; a sensação única de saber que seu serviço é único.
É. Até agora nada. Até agora, estou desempregada. Há mais de um ano, estou esperando e correndo atrás de alguma empresa onde isso seja possível. Passei por todo tipo de situação no ano de 2012 procurando emprego. Uma mais revoltante que a outra. Se não era a empresa que era podre, como uma ONG Cristão, filiada a um partido político na Casa Verde, em São Paulo, como empresas terceirizadas de RH, que forneciam vagas fantasma na internet, com informações erradas ou, o mais provável, intencionalmente distorcidas. Até propostas de prostituição recebi ao me candidatar a uma vaga de vendedora de roupas. Desde então, me limitei a procurar serviços na minha área. Sou formada em história, e estou terminando uma pós-graduação em História da Arte. Amo o que estudo e o que escolhi. Mas isso parece não significar nada para o mundo.

Concomitantemente, a situação financeira da minha família não tem sido das melhores. Meu pai, que apesar dos 62 anos de idade (completos no dia de hoje), continua agindo como uma garoto de 15. Gasta dinheiro demais em coisas desnecessárias, vive a base de segredinhos fora de casa, some com amigos e parentes, reaparece horas depois, por vezes de madrugada, até alcoolizado, e ri como se nada acontecesse. Quando as contas começam a vencer, o bom humor e a disponibilidade, toda a jovialidade, parece se esvair no ar. São encenações copiosas da tal personagem Carminha que tendem a reaparecer aqui em casa, com explosões mútuas aos berros e mimimis de todo o tipo. "Porque eu sou isso, eu sou aquilo, minha vida é uma desgraça, eu sou desgraçado" e etc. Por vezes chego a pensar que se ele tivesse seguido a carreira de ator, nossa situação financeira seria bem outra.
Minha mãe não vai bem, obrigada. A saúde vem se deteriorando, devido aos dias incansáveis de trabalho em casa, mais seus trabalhos mentais árduos para administrar da melhor forma as contas da casa. É estresse, noite sem dormir, dores de estômago, problemas na gengiva, problemas de circulação, problemas respiratórios, problemas nos nervos, e de todo o tipo que se pode imaginar. Creio que deva estar depressiva também.
O bem-estar não é algo que exista em minha residência.
A tensão no ar é grande e eu não possuo ânimo para aliviá-la.
Acredito que se eu arrumasse um emprego, tudo seria melhor. Mas lembro como foi quando resolvi largar tudo e ser atendente de telemarketing, e desisti na hora de trabalhar mais uma vez com algo que não fosse com o que estudo.
Pra ajudar tudo, tenho dois cães. É. Dois animaizinhos lindos. Uma vira-latas, Hana, e um beagle, Toby. O segundo é epilético. Descobrimos esse ano também, após muitas crises convulsivas, que nos tiraram o pouco de sossego. Ele toma muitos remédios, e as doses não estão muito reguladas ainda. O que o deixa transtornado, molenga e, por conta de sua indubitável falta de vergonha na cara, o põe em perigo latente. Essa semana, machucou um dos olhos. A culpa recaiu sobre a Hana, por suas crises violentas de ciúme, mas ainda tenho dúvidas.

Então... Fico aqui pensando: será que se eu tivesse escolhido outro curso, eu seria mais feliz, ou teria, ao menos, um pouco de paz? Será mesmo que tudo o que está acontecendo é uma puta sacanagem do kosmos, ou foi essa MINHA escolha errada que está atrapalhando tudo. Vejo pessoas que detesto aparentemente felizes pelas redes sociais, vivendo suas vidas e propagando amor. Eu só consigo propagar o vírus da gripe.
Agradeço, aqui, ao meu país, por me proporcionar um plano de carreira ótimo como professora, por valorizar o serviço de uma historiadora que ama o que faz, e principalmente, pelas campanhas super verdadeiras sobre a carreira do magistério, que me faz sentir muito mais idiota a cada dia.

Acabo o texto ainda com muito ódio no coração, e a espera do ano de 2013, se este realmente acontecer. Se 2012 for o ano do fim do mundo, só espero estar linda e maravilhosa, já que feliz me parece uma forma impossível de entrar para a eternidade dos astros.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Didi anticristo(?!)

Eu sempre evito de falar sobre religião, e tudo o que envolve por ser algo polêmico e, por vezes, ofensivo. Afinal de contas, tá rolando uma Guerra "Santa" há muitos anos em territórios no Oriente Médio justamente por isso.
Mas, sério, eu TENHO que postar algo sobre isso.
Hoje eu tive o desprazer de ver essa papagaiada de campanha do Didi Anticristo. 
É, o Renato Aragão, conhecido por ser embaixador da Unicef, patrono do Criança Esperança, o Didi dos Trapalhões... O mesmo que, há anos atrás, começou a vender uma imagem de católico fervoroso, indo a pé até Aparecida do Norte, subindo no braço do cristo Redentor no Rio de Janeiro e tudo o mais.
Pois bem. 
O novo filme dele, ao que parece, vai ter como temática algo levemente polêmico. 
Digo "levemente", pois não vejo nada de mais.
No enredo, ele será o segundo filho de Deus, que vai terminar de cumprir o papel de Jesus Cristo, propagando amor e paz pelo mundo. 


Lindo né?

Mas aparentemente, se dizer filho de Deus E propagar Amor e Paz no mundo é algo do Anticristo.

Meus amores... Sério.... Anticristo!?
Primeiro, procurem saber o que É o termo Anticristo. 
Anticristo (do grego αντιχριστός i.e. "opositor a Cristo") é uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo nos últimos dias antes que haja a segunda vinda de Cristo.

Se ele, no filme, vai continuar o que Cristo vinha fazendo em vida... ACHO, apenas acho, se me é permitida interpretação correta de termos E de texto, que ele não está se opondo, mas reafirmando!

E depois, até onde eu sei, todos somos filhos de Deus, não é? Todos fomos enviados à Terra para continuar com os ensinamentos de Jesus sobre amor, paz, solidariedade e afins. Então, pensando por esse ponto de vista, NÓS somos o Anticristo também? 

Levando em conta o mesmo ser uma criatura escatológica, tem a ver até. Afinal... Estamos em 2012, não?


Meus queridos... Duas coisas:

1- Isso é medo do mundo acabar? Pois, se for, eu até entendo. Geral esperando o Anticristo medonhamente ornado com chifres e tridentes, e me vem o Didi com sua Turma. 

2- Sério... Vai lavar uma trouxa de roupas sujas. Certa vez minha professora de Ensino Religioso disse que não adiantava nada ficar propagando coisas em nome de Deus se você busca o Diabo em tudo. (Nesse caso, o tal Anticristo). Se cada um de vocês simplesmente fizesse sua parte como bons cristãos garanto que o mundo seria um lugar bem melhor, e minha timeline do Facebook cada vez menos beata. 


PS: Não sou cristã. Não possuo religião, e nem quero possuir. 
PS2: Mas que é presunção desse cara querer SOZINHO propagar os ensinamentos de Deus no mundo... Ah é xD

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sem comentários


Hoje estou postando esse texto a fim de esclarecer alguns pormenores, acerca desse blog, do intuito da existência dele e tudo o mais que envolva esses temas. Também quero deixar claro o motivo de eu bloquear todos os comentários, inclusive os de quem eu conheço.

Há tempos eu pude notar uma gama imensa de idiotas (sim, idiotas!), que sequer se deram ao trabalho de perder tempo e ler a descrição do meu perfil, e entender o motivo de eu ser sempre tão ácida e irracional em todos os meus textos. Foram avalanches de comentários acerca de linguajar impróprio (bichinhas u.u), opiniões deturpadas, desrespeito a opiniões divergentes e afins.
Pois então, meus queridos, vou tentar ser BEM CLARA. Muito embora eu acredite que o fato de eu afirmar em meu perfil que sou uma desorientada, e que uso esse blog como terapeuta, já deixem a entender que quase tudo o que eu escrevo aqui não é necessariamente sério, muito menos meus gostos, pensamentos e opiniões se limitem a tal.

Criei esse blog enquanto estava na faculdade. Ele nada mais era do que uma piada com nossas aulas, nossas piadas internas. Tudo era pra ser uma bela brincadeira. A prova disso está nos antigos textos, se você estiver a fim, pode comprovar você mesmo!
Com o passar dos anos, e as dificuldades da minha vida, acabei recorrendo ao blog por puro comodismo. Ninguém que eu conhecia lia, e eu me sentia segura em extravasar meus pensamentos mais cretinos com desconhecidos.
Sempre gostei de escrever, e sempre me senti muito melhor escrevendo sobre meus pensamentos mais absurdos. Era como se eu tirasse todos eles de mim, de uma vez, e eles só ficassem presos ao texto. Era um exorcismo.
Bem, de certa forma, ainda é.

Por esse motivo, quero que entendam que: tudo o que escrevo aqui, e boa parte na realidade, nada mais são do que um exorcismo das minhas ideias mais profundas, reprimidas e contraditórias. É tudo aquilo que eu quero fora de mim. Tudo do que quero me livrar.

Recebi um comentário, em especial, num post do qual sempre acreditei ser o mais idiota de todos. “Coisas sobre mim”, ou algo do gênero. Eu fiz questão de responder esse comentário, mas acredito que a criatura sequer irá ver, e provavelmente vai cometer o mesmo erro de achar que eu preciso da opinião dela, e mais ainda: que eu quero mesmo que essas minhas ideias cretinas cheguem e inspirem alguém!
Meu querido, acorde! Não é porque tem nome de ex-presidente que pode se achar dono da razão!

Entenda rapaz. Eu NÃO quero que meu blog seja um sucesso, muito menos que seja conhecido. Isso aqui nada mais é do que uma materialização em palavras daquilo que eu mais detesto em mim. Eu realmente uso esse blog como válvula de escape, e me desculpe se você entendeu errado.
Sobre o fato de eu expor minhas opiniões de uma forma mais educada:
À merda! Sinceramente. Eu to puta da vida com mil coisas a minha volta me perturbando, e cara quer que eu seja educada?!
Meu amor, eu sou educada e plausível com minhas opiniões quando a ocasião exige que assim seja. OU SEJA, com gente que eu conheço, admiro e respeito... Em ocasiões que sei que posso garantir algum tipo de benefício, tanto profissional quanto pessoalmente.
Não vou querer que pessoas que eu desconheço, que nem sei se existem de fato e que não participam da minha vida, me respeitem. Ainda mais, que elas tomem por noção de personalidade um blog como este, onde eu mostro apenas um dos lados da minha personalidade: o colérico.
Assim como todo mundo, possuo muitas qualidades, assim como muitos defeitos. É opção minha expurgar meus demônios aqui, longe daqueles que não os merecem ter por perto.
Se eu quiser ser respeitada, certeza absoluta que não vai ser por conta das minhas reclamações e meus nhenhenhens mais baixos. Muito menos, por conta das minhas indiretas pra ex-companheiros e antigos amigos. Quero que me admirem pela minha inteligência, pelos meus talentos e, porque não, pela minha beleza!?
Mas com toda certeza do mundo, não vai ser com um blog que eu vou conseguir isso. Desprezo boa parte da turminha da High Society da internet por saber que o único círculo social deles é esse: o virtual.
Eu prefiro a vida real. Cheia de defeitinhos e carregada de realidade. Se eu quiser fantasiar, vou ler um bom livro.

Por isso, decidi que iria bloquear os comentários. Primeiro porque acabo me esquecendo de ver todos, e só os encontro meses depois. Segundo, porque tenho mais o que fazer da vida pra dar atenção a um bando de cretinos, que ACHAM que fazem muito comentando meus textos, como se eu precisasse da opinião deles pra, como é mesmo... Evoluir com “uma critica construtiva”.  Meu querido... Crítica construtiva eu só aceito de amigos e do orientador do meu TCC.  Vou bloquear os comentários, pois, desde o começo, esse blog foi um meio PESSOAL de eu expressar tudo aquilo que seria socialmente repulsivo. Eu deixo minhas opiniões racionais e mais corretas pra minha vida, junto com a ética que me é exigida no trabalho acadêmico. Pra quem eu desconheço, fica apenas a vontade de eu enxotar de mim aquilo que eu detesto, direcionando ao léu. Não quero ofender quem me cerca e quem se importa comigo, de verdade.
Também não quero ofender quem eu desconheço, mas se tem gente que se dói por eu achar as letras de Legião Urbana uma merda, sinto muito. A culpa não é minha se você não tem mais o que fazer da vida, NÉ!?

Praqueles que me conhecem, eu aceito comentários e sugestões via facebook, MSN, SMS, telefonema, e-mail ou, melhor ainda, na mesa de um boteco com uma bela Serramalte gelada na mesa.
Já pros outros... Se quiserem, sigam meu exemplo e criem um blog, falem o que quiserem de mim. Eu não vou ver mesmo. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Nós, os esquisitos.



Hoje, venho até aqui para representar uma classe em especial: os esquisitos.

Estranhos, bizarros, anormais, fora do comum... Criaturas que não se enquadram social ou psicologicamente em grupos pré-estabelecidos pela sociedade vigente.

Nós, os esquisitos.
Caracterizados principalmente por uma mescla de gostos incomuns, opiniões infindáveis e pensamentos desconexos. Bizonhos. Os seres que representam a metamorfose ambulante do ser, parecer e pensar. Mescla do crer e não crer.
Venho por meio dessa carta aberta expressar meu descontentamento. E devo dizer que todo ele é para com vocês, pessoas auto-classificadas como normais.
Devo dizer que esse descontentamento, e porque não essa mágoa, não vem de hoje, tampouco de dias ou meses atrás. Acrescento, ainda, que meu desagrado me acompanha por toda uma vida.

Desde que nasci, sou tratada como anormal. Filha única de mãe solteira, eu fui renegada em muitas igrejas católicas onde minha pobre mãe tentou me batizar. Graças a uma alma caridosa, um padre de uma igrejinha humilde aceitou realizar tal pleito imoral. Quando cresci, adquiri o hábito de lutar com espadinhas de plástico. (Minha preferida era azul escura, linda!). Mas meus coleguinhas do Maternal II pareciam não aceitar o fato de eu, uma garotinha magrela, pirar no cabeção com minhas espadinhas coloridas. Era quase todo dia que retornava a minha residência cheia de mordidas e marcas roxas de beliscões. Não era NORMAL uma menina tão pequena brincar com coisas de menino.
Aos seis anos de idade, aprendi a ler. Resultado de um esforço conjunto entre minha mãe, meu avô materno e minha professorinha da Pré Escola. Daí pra frente, a prática virou um hábito (que persiste até hoje), mas que, na época, era visto como incomum pela mãe de uma coleguinha. Ela dizia “Essa criança num é normal, leva numa psicóloga e vê o que tem”.  Por sorte, minha mãe sempre foi muito racional.
Fui crescendo, e a cada ano que passava, maior parte das pessoas NORMAIS ao meu redor me julgavam, criticavam, rotulavam, sem eu nem ao menos saber o motivo. Certa vez era eu que estava muito magra: “Filha de mãe solteira, coitadinha, por isso é desnutrida!”;  e sempre riam de mim. Por vezes, as demais crianças repetiam o que seus pais falavam em casa, na escola: “Nossa Deborah, você tem um pai!”.
Quando atingi certa idade, procurei tentar me encaixar entre vocês, os normais. Nada muito satisfatório, nem bem arranjado já que, todo esse esforço, acabou me rendendo só mais chacotas, apelidos jocosos e olhares oblíquos. Entendi, então, que deveria assumir o que eu era: uma esquisita.
Cresci pensando ser errada ao ser quem era; cresci achando que, se eu me adequasse talvez às pessoas gostassem mais de mim. Sempre busquei a aceitação dos que me cercavam, quando quem deveria me aceitar era eu mesma. Sofri.

Mas também sobrevivi. E estou muito bem, obrigada!
Quando encontrei a aceitação que precisava, resolvi me refugiar com os meus: os outros esquisitos. Estamos por toda a parte, nos esquivando dos seus olhares maldosos e seus julgamentos precipitados. Dos seus preceitos e conceitos deturpados... De todos os seus valores invertidos, da sua sociedade burguesa que, atualmente, prega a ditadura da felicidade. Vez ou outra, vocês se lembram da gente, quando precisam se sentir superiores a alguém, mas são incapazes de direcionar sua raiva para algo consciente. É sempre para nós que sua raiva é direcionada. Vocês se lembram de nós quando, no fundo, percebem que não conseguiram ser nada além do que aparentam ser: normais.
Segui o exemplo de meus iguais. Talvez por comodismo ou autodefesa, decidi que não iria mais me envolver em questões das quais vocês ditavam as regras.
Resolvi deixar o mundo nas mãos de vocês.

Erro meu. Erro de todos nós, os esquisitos.

Mas é em nome do mundo, que venho falar aqui. É em nome do mundo, que vocês normais fizeram o favor de cagar.

Confesso que meu quê revanchista adorou perceber que nenhum de vocês, que ria de mim, foi capaz de administrar esse planeta. Nenhum normal foi mais que o próprio excremento que evacua todas as manhãs, após tomar Activia.  Nenhum.

Nós, os esquisitos, viemos por meio dessa, avisar que vamos voltar.  
Que seu reinado repleto de normalidades está acabando, e que 2012 será o início do nosso retorno.
Nós esquisitos devemos, ainda, desculpas ao mundo. Não deveríamos, nunca, ter nos acomodado (seja por conforto ou medo). Nosso maior erro foi crer em todas as inverdades desses normais. Foi baixar a cabeça, e comprar suas ideias pútridas, baixas e medíocres.

Afinal, mediocridade hoje em dia, é muito normal.


 A prova histórica de que um de nós é capaz de ser genial. 
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Esquisito: adjetivo. Não usual, fora do comum. Raro, delicioso, excelente. Bem-acabado, primoroso. Extravagante, singular, excêntrico.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Curioso

É o fato de a minha postagem mais visitada ser a sobre "Aquarianos" e toda essa baboseira grosélica de astros e etc. O que me deixa mais curiosa e saber o motivo de as minhas outras postagens, com muito mais conteúdo filosófico, serem tão ignoradas em relação a essa.

Daí eu lembro que estou em um país onde comédia é levada a sério, políticos na brincadeira; onde exigem que atletas olímpicos ganhem medalhas de ouro sem sequer terem patrocínio para treinar; que se gaba do seu futebol como se este fosse AINDA o melhor do mundo mas não dá exemplo de igualdade (salarial) nem entre jogadores do mesmo time, quanto mais entre feminino e masculino; um país que liga mais pro ranking das olimpíadas do que pro ranking do IDH ou da educação.

Então deixei de achar tudo muito curioso, fiquei uns dez minutos puta da vida, mas acabei me acomodando na minha (não muito) confortável vida. Afinal, vou seguir o exemplo dos medíocres que me cercam e tentar ser feliz. Pois é isso que todo mundo quer, até as pessoas na timeline do meu Facebook.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Medo da prole medíocre

AVISO: O CONTEÚDO A SEGUIR LEVA EM CONTA APENAS MINHAS OPINIÕES PESSOAIS, ASSUMINDO A POSTURA DE  QUE AS SUAS, SE PORVENTURA QUEIRA EXPRESSÁ-LAS, NÃO SERÃO LEVADAS EM CONSIDERAÇÃO. OBRIGADA. 
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Ando assustada com a velocidade que o relógio corre, e isso se mostra muito aparente quando vejo pessoas a minha volta, tão crianças quanto eu fui um dia, casando e parindo.

É deveras assustador.

A ponto de me levar a pensar na possibilidade de eu, um dia, gerar descendentes.

De todos esses pensamentos divagantes, a unica resposta que me vem em mente: não.

Não quero ter filhos. Não para colocá-los em um mundo pútrido, assolado por guerras, destruição, preconceito, dor, desgraça... Não vou colocar uma criança em um um mundo condenado, abarrotado por pessoas insanas e tiranas, que oprimem alguns pobres coitados que tentam, a todo custo, sobreviver, já que VIVER, propriamente,  há muito deixou de ser cogitado. 
Mas como se não bastasse esse clichê marxista entre luta de classes, o tirano versus oprimido, hoje somos abastadamente cercados do ser medíocre. 
O medíocre se adapta perfeitamente a situação de oprimido, pouco se importa com isso, nada faz para mudar, se contenta em reclamar do corriqueiro e não move um dedo sequer pra ajudar quem de fato necessita. O medíocre não tem coração, não tem alma. 

Tenho medo de ter um filho. Medo de ter um filho que passe a vida como uma criatura infeliz e oprimida. Mas tenho mais medo de ter um filho e, este seja tão estúpido a ponto de achar que pode ser feliz em um mundo onde exista tanta infelicidade. 
Em um mundo onde 80% da população é que nem ele: medíocre.

Por ser professora, prezo muito pela educação e pela cultura. Também prezo pelo total desenvolvimento, físico e intelectual, de todos os meus alunos. 
E também pelo meu.

Parte da minha teoria de que o mundo está abarrotado de pessoas medíocres, que impedem uma mudança total da situação, por estarem felizes demais com sua posição patética é justamente a falta de educação; a não formação total do intelecto do ser. 
Tenho pra mim que para poder educar e criar um filho eu precise estar bem comigo mesma... Que é necessário eu já ter cumprido todas as minhas etapas de desenvolvimento psicológico e social (algo que eu não alcancei). Levando em conta que, por anos, as regras sociais ditavam que para uma pessoa completar seu círculo de vida deveria casar-se e ter um filho, logo depois. 
Tudo isso fez com que muitas pessoas, no mesmo estágio de desenvolvimento que eu, ou mais "atrasadas", gerassem crianças das quais não tiveram a capacidade de criar e propiciar total desenvolvimento... E assim por diante.

Por repudiar esse tipo de coisa, não quero ter filhos. Até segunda ordem. 
Enquanto eu não for boa o suficiente pra arcar com minhas próprias contas, já possuindo uma vida financeira estável, não quero. 
Também não quero ter filhos por me sentir excluída de um meio social onde todos os pertencentes veem isso como obrigatório. Não quero ter um filho se não vou ter a capacidade de criá-lo, educá-lo e amá-lo como ele o bem merece.
Queria que algumas pessoas, além de mim, pudessem pensar um pouco nisso antes de gerar seus próprios filhos.
Não que todos tenham que parar de gerar criancinhas fofas, pelo contrário. Mas que todos tenham noção que maternidade/paternidade não é uma moda, mas sim um compromisso pra vida toda, do qual não há mais volta ou oportunidade de recomeço. 

Eu "nasci sozinha", ou seja,  fui criada sozinha, tendo em vista que sou filha unica e a mais nova da família. 
Hoje, tenho muitos amigos. E isso me basta. 
Isso basta pra eu saber que não preciso gerar um filho por medo de ficar sozinha daqui alguns anos.
Se solidão for um problema eu adoto algum animal de estimação.
E ainda assim, não sei se sou de todo responsável. Mal cuido da minha cachorra, quem dirá de uma criança!



Além do mais, não quero deixar o universo glamouroso e alternativo dos espartilhos e das cinta-ligas tão logo. Não quero abandonar meus saltos agulha, minhas botas, meus coturnos.

Não quero deixar minhas noites de cervejada na casa de amigos ou em bares por conta disso. 

E aos que tem filhos e ainda o fazem... Sugiro uma babá, ou então vergonha na cara. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

As crianças não estão bem.

Não ando gostando desses meus surtos saudosistas, e até certo ponto revanchistas.
Mamãe sempre me disse que guardar rancor não faz bem e vingança é uma coisa feia. Falou também para eu perdoar as pessoas, e ter sempre com elas no coração um espaço reservado pros bons momentos.
Minha mãe é uma mulher sábia e muito boa. Boa demais.
Sei que um dia vou ter que superar tudo isso, e que já era pra eu ter me acostumado com a realidade do crescimento e das adaptações com as escolhas daqueles a quem amamos.

Mas não consigo.

Ainda é muito doído pra mim olhar pra trás e ver que nossos futuros, que estavam tão entrelaçados, se despedaçaram em muitos; um emaranhado de fitas coloridas que se desfez de um grande nó de sentimentos e cumplicidade pra ficarem livres ao vento.

Minha fita está toda amassada.

Sinto falta dos nossos intervalos juntos, das risadas, das promessas e das saídas. Das noites passadas no MSN, e até daquela vez em que fomos ao shopping comer sushi.
Sinto falta daquela famigerada festa de aniversário em que nos entupimos de doces e ficamos tirando fotos com a câmera alheia.
Sinto falta das nossas peripécias impensadas, que todos os adolescentes pensam em fazer. Queria atravessar de novo aquele farol da avenida em trenzinho com vocês. Pena que lá já não passam mais carros. Nem trenzinhos.

Quando fecho os olhos e começo a me lembrar desses doces momentos do nosso passado, sempre retorno pra mesma pergunta: O que aconteceu?

Acredito que a vida real se encarregou de arrastar a cada um de nós, com nossos gostos, orgulhos e escolhas, pra um canto.
Quero acreditar, ainda, que exista alguma realidade alternativa nesse imenso universo onde todos nós estejamos rindo, juntos, mais uma vez. E quem sabe, dessa vez, juntos para sempre.

Acredito que devo, ainda, pedir que me perdoem.
Já que eu mesma não sou capaz de perdoá-los. Pelas feridas que me causaram, pelos erros que cometeram, pelas escolhas que fizeram e que, de alguma forma, afetaram minha vida.
Peço que me perdoem, ainda, por eu não ser capaz de relevar tudo isso, e conviver normalmente com vocês. Não consigo relevar muitas coisas, e muitas dessas ainda me magoam. E falsidade nunca foi meu forte.

Peço também que aguardem.
Perdoar é um ato cristão, e eu não sou tão cristã assim. Mas prometo a vocês, em nome da amizade que um dia existiu entre nós, que eu perdoarei.
Infelizmente não posso garantir que tudo volte a ser como antes.
Só garanto que, aquele lugar reservado no coração, ainda está aqui.

Minha fita continua amassada depois dos nós desatados. Mas devo confessar que os laços que ainda faço com ela são lindos.


Uma pena vocês não fazerem parte deles.


Ou não.


Ao som de The kids aren't alright ~Offspring


"Agora a vizinhança está quebrada e dividida
As crianças cresceram mas suas vidas são passadas
Como pode uma pequena rua
Engolir tantas vidas..."

terça-feira, 24 de abril de 2012

E eu tive resposta.

Hoje, pela manhã, a gerente do Lopes Supermercados unidade Ponte Grande entrou em contato comigo, por telefone. 
Confesso que não esperava por uma resposta tão rápida, e digo que gostei. Muitas vezes a gente usa esses canais de reclamação e demoram meses pra alguma resposta, quem dirá atitude. Isso quando respondem, claro. 
O resolvido com o problema do esgoto: "O buraco é mais embaixo", já que os canos da rua estão entupidos e é necessário um serviço muito maior do que apenas um pedreiro pode fazer. Portanto, será uma solução paliativa. Com a pressão de um hidrante consegue se desentupir algo, e tirar a água podre empoçada. 
Com relação ao recolhimento de lixo: A medida é tentar fazer com que a empresa responsável (Quitaúna) venha recolher o lixo durante o dia, no horário de funcionamento da loja. Assim, é fácil lavar a sujeira e a segurança está presente para evitar o recolhimento deste lixo por outras pessoas, que não sejam da empresa responsável. 
Por ultimo, ela pediu desculpas pelo tratamento, e disse que há meses não recebia reclamações. 
Pois bem, eu até acredito. 
São tantos anos reclamando que certos funcionários acabam se tomando como donos da situação. 


Mas veremos. Espero mesmo que o problema se amenize, pois pra resolver certas coisas é difícil.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mostro aqui minha reclamação


PrintScreen do registro da reclamação no "Fale Conosco" do portal Lopes Supermercados


Gostaria, sinceramente, de poder utilizar meu tempo livre para viver a minha vida sem incômodos, mas infelizmente certas coisas acabam me atrapalhando ou incomodando profundamente.
Moro na rua atrás do Lopes Ponte Grande, e há anos minha família e famílias vizinhas sofrem com muitos incômodos.
O principal deles é com a lixeira, que se localiza bem em frente a minha casa. O mau cheiro é insuportável. Em dias de recolhimento de lixo, se torna impossível permanecer em cômodos da casa, como a sala e a cozinha. O cheiro de comida podre é insuportável. Já reclamamos, chamamos a vigilância sanitária e nada se resolve. Estranhamente eles aparecem aqui, e saem rindo, sem nada resolver.
Outro problema, semelhante a esse, é a fossa que vive entupida, também em frente a minha casa. São dias e noites com o cheiro de "banheiro" na rua, além da água podre empoçada na rua. Em dias de dedetização, baratas e ratos gostam de invadir nossas casas.  Já reclamamos, mas dizem que nada pode ser feito.
Para ajudar, tem dias em que o recolhimento do lixo é acompanhado por membros de comunidades carentes, que fazem grande algazarra para conseguir pegar lixo, da lixeira, para consumo próprio. Muitas vezes as correntes da lixeira foram arrebentadas para tal. Já informamos a polícia, ao juizado de menores, e todo e qualquer órgão relacionado, mas todos dizem que é responsabilidade do mercado, não deles.
Eu nasci nessa casa, e convivi com esse tipo de situação por anos, desde que a lixeira foi instalada nos fundos do mercado, ao lado do setor de cargas e descargas. Todas as vezes que vi minha família reclamar, ou a de meus vizinhos, algum tipo de resposta nós recebíamos, mesmo que frustrante e negativa.
Mas dessa vez as coisas conseguiram ficar piores.
A unidade Ponte Grande possui uma nova gerente, da qual não é de agrado de nenhum morador do bairro, sendo eles vizinhos do mercado ou não. Sua falta de educação com os funcionários E com os clientes é tamanha que chega a envergonhar quem frequenta a unidade.
Gostaria, realmente, de saber que tipo de atitude eu e meus vizinhos devemos tomar para com a situação. São anos se arrastando, com a situação piorando ao invés de melhorar. E, agora, sem qualquer apoio da gerência ou de qualquer órgão público.
Será que vamos ter que entrar com alguma ação conjunta, ou podemos resolver com um acordo civilizado?
Aguardo resposta.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Eu também sinto saudades

Mas devo dizer que são saudades diferentes.

Saudades daqueles que se foram, mas não voltam mais. Saudades de um época que me trouxe muitos risos, mas que acabou.

Sinto saudades de cheiros, de sabores. Saudades de sons de risadas que, por mais que eu negue, marcaram minha vida.

Sinto saudades do que hoje eu repudio.

Sinto saudades dos meus avôs e avós, do meu poodle e dos meus brinquedos que quebraram. Saudades do tempo em que brigar pela internet era algo maduro e fora do comum.

De todas essas saudades, a que mais me dói é aquela que vem embargada de nostalgia. Quando junto com aquele sentimento gostoso vêm a dor da decepção e a mágoa adormecida.

Eu também sinto saudades das risadas, dos jogos de RPG e daquele tempo que não volta mais, minha cara. Mas hoje eu sei, e posso afirmar claramente:

Não me fazem falta.